- O papa Leo XIV realizou uma missa em Douala, Camarões, com expectativa de cerca de 600 mil pessoas, na continuidade de uma tournée de onze dias pela África.
- Após a missa, ele visitaria o hospital local antes de retornar a Yaoundé para encontro com estudantes, professores e administradores na Universidade Católica da África Central.
- O foco da passagem é incentivar os jovens camaroneses, diante de desafios como pobreza, corrupção e perspectivas econômicas limitadas.
- O Camarões é um país jovem: a idade média é de 18 anos, e a fé católica representa cerca de 29% de uma população de 29 milhões.
- Desafios econômicos e sociais persistem: taxa de desemprego de 3,5% entre 18 a 35 anos, alta participação no setor informal (57%), e êxodo de profissionais de saúde e uma crise política após as eleições de outubro.
Pope Leo XIV chegou a meio de sua turnê de quatro nações pela África com foco especial nos jovens de Camarões. Em Douala, realizou uma missa lotada e visitou um hospital, antes de seguir para Yaoundé para encontro com estudantes e docentes da Universidade Católica da África Central. A previsão é de cerca de 600 mil fiéis na liturgia, a maior multidão da viagem de 11 dias, que marca o primeiro papado de um pontífice americano a visitar o continente.
Em Yaoundé, o papa participou de um encontro com a comunidade acadêmica da universidade católica, uma prática usada para engajar jovens diante de desafios como pobreza, corrupção e desemprego. Camarões tem 29 milhões de habitantes, com 29% da população Católica e uma população amplamente jovem, com idade mediana de 18 anos.
Análise econômica e social
A visita ocorre em meio a um perfil juvenil expressivo e a um mercado de trabalho com gestão informal predominante. Dados do Banco Mundial indicam taxa de desemprego de 3,5%, enquanto 57% da força de trabalho entre 18 e 35 anos atua na informalidade. O país enfrenta migração de profissionais e fuga de talentos devido a melhores oportunidades no exterior.
Essa conjuntura contribui para a chamada fuga de cérebros, impactando serviços como a saúde. Estima-se que, em 2023, cerca de um terço dos médicos formados permaneceu fora do país. A crise política também tem sido tema de volatilidade após as eleições de outubro, quando o candidato da oposição contestou o resultado e ocorreram protestos.
Contexto político e social
Desde 1982 no poder, o presidente Paul Biya figura como um ponto de tensão entre a juventude africana e lideranças estáveis. A disputa eleitoral de 2023 ampliou críticas à liderança de Biya, gerando debates sobre governança e investimentos sociais. O papa tem utilizado o retorno à juventude como eixo de sua mensagem pública.
Fontes e credenciamento
A AP destaca que a cobertura religiosa no continente ganha apoio por meio de parcerias com veículos académicos, com financiamento de instituições de fomento. A AP mantém responsabilidade pelas informações apresentadas, sem revelar contatos de terceiros.
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Contribuição: Mark Banchereau, a partir de Dakar, Senegal.
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