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Deslocamento climático na África pode definir obrigações dos Estados

Tribunal Africano pode definir obrigações dos Estados com deslocados internos por mudanças climáticas, após casos como o de Khar Yalla, em Senegal

The African Court on Human and Peoples’ Rights is expected to soon issue an advisory opinion on states’ obligations toward internally displaced persons affected by climate change.
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  • A Corte Africana de Direitos Humanos e dos Povos deve emitir, em breve, um parecer consultivo sobre as obrigações dos estados frente a pessoas deslocadas internamente pelas mudanças climáticas.
  • A pesquisadora da Human Rights Watch, Erica Bower, afirma que o parecer pode esclarecer a obrigação de oferecer soluções duráveis para deslocados por desastres.
  • Na África, em 2024, milhões foram deslocados de cerca de 20 países africanos por desastres climáticos, como inundações e erosão costeira.
  • Senegal é exemplo: há aproximadamente uma década, comunidade de Saint‑Louis foi obrigada a se mudar por erosão costeira e hoje vive em Khar Yalla, com infraestrutura precária.
  • Bower diz que o parecer pode orientar governos a atender populações como a de Khar Yalla; efeitos do parecer são interpretativos, não vinculantes.

A Corte Africana de Direitos Humanos e dos Povos pode emitir em breve um parecer consultivo sobre as obrigações dos Estados com pessoas deslocadas internamente por mudanças climáticas. O tema ganha relevância em meio a deslocamentos que ocorrem em todo o continente.

Segundo a pesquisadora de deslocamento climático da Human Rights Watch, os deslocados existem em todos os continentes e o parecer pode esclarecer as obrigações dos governos em oferecer soluções duradouras para quem foge de desastres. A expectativa é de maior clareza jurídica.

Na África, dados da Plataforma de Deslocamento em Desastres indicam que, em 2024, milhões de pessoas foram deslocadas por eventos ligados ao clima, como inundações e erosão costeira, em cerca de 20 países.

No Senegal, um caso emblemático envolve comunidades da Langue de Barbarie, em Saint-Louis, que precisaram abandonar a costa há aproximadamente uma década devido à erosão. O reassentamento ocorreu em áreas precárias.

Relatos de residentes indicam que estruturas de apoio são insuficientes: muitos vivem em locais sem infraestrutura básica, como água, energia, saúde e educação. A mudança forçada compromete estudos e atividades pesqueiras.

Relatórios da Human Rights Watch descrevem que, entre outras consequências, o acesso à eletricidade chegou a ser restrito para parte das famílias reassentadas, dificultando a regularização de condições de vida.

A expectativa é que o parecer da Corte Africana estabeleça, de modo claro, as responsabilidades estatais para assegurar soluções de moradia estáveis e condições mínimas de vida aos deslocados por impactos climáticos. A opinião é vista como possível guia global, mesmo não sendo vinculante.

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