- O documentário The Last Spy, sobre Peter Sichel — ex-chefe da CIA em Berlim — traz críticas à intervenção norte‑americana no Irã e a políticas externas dos Estados Unidos.
- Sichel nasceu em Mainz, em 1922, escapou do nazismo, serviu ao Exército dos EUA e chefiou redes de informantes na zona leste de Berlim; depois liderou o ramo de vinhos da família em Nova York.
- Em 1953, Mossadegh foi deposto em golpe apoiado pela CIA e pela MI6; o filme mostra Sichel afirmando que, se Mossadegh tivesse permanecido, o Irã poderia ter se tornado um país democrático socialista, e que a derrubada ajudou a fortalecer o shah e, indiretamente, a revolução de 1979.
- Sichel é apresentado como crítico dos métodos da CIA, sugerindo que a intervenção causou mais conflitos e mortes do que resolveu, e que a mentalidade de “bom contra odiado” prejudicou a compreensão de nuances políticas.
- O filme chega a cinemas selecionados do Reino Unido em 24 de abril, destacando que Sichel viveu até os 102 anos, encerrando sua trajetória com reflexões sobre as consequências de ações passadas dos Estados Unidos.
Peter Sichel, diplomata e ex-chefe da CIA em Berlim, ganha nova leitura na cinebiografia The Last Spy. O documentário mostra o legado do agente, que também ficou famoso por transformar o vinho alemão Blue Nun em sucesso mundial. O filme chega aos cinemas do Reino Unido em 24 de abril.
Nascido em 1922 em Mainz, Sichel fugiu do regime nazista com a família e emigrou para os EUA. No OSS, precursor da CIA, destacou-se como interrogador de prisioneiros de guerra e, aos 23 anos, passou a comandar operações na Berlim ocupada. Seu perfil técnico contrastava com a prática agressiva de algumas ações da época.
Ato final de uma carreira marcada por críticas ao intervencionismo
O documentário revela que, em 1953, ele esteve envolvido na derrubada de Mohammad Mossadegh, primeiro-ministro do Irã, processando o entendimento de que a nacionalização do petróleo ameaçava interesses ocidentais. Sichel defende que tal movimento manteve o shah no poder e ajudou a moldar o cenário político iraniano subsequente.
A obra também aborda a visão de Sichel sobre a atuação da CIA sob Allen Dulles, com ressalvas sobre a politização de informações e a priorização de ações sobre o julgamento técnico. Em entrevistas, ele critica a premissa de que líderes nacionalistas representavam automaticamente um perigo comunista.
O relato de Kinzer, historiador, enfatiza que Sichel reconhece que muitas operações atribuídas ao acordo entre serviços de inteligência e governos resultaram em perdas humanas e no aprofundamento de conflitos. O filme contextualiza as mudanças da CIA entre espionagem e ação.
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