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Sobreviventes de escolas residenciais no Canadá enfrentam luta por depoimentos

Prazo para destruir depoimentos de escolas residenciais pode apagar evidências de abusos; comunidades indígenas exigem preservação de arquivos até 19 de setembro de 2027

Graves near the site of the Ermineskin residential school in Maskwacis, a Cree community in Alberta, Canada, in 2022.
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  • Documentos com testemunhos de vítimas do sistema de escolas residenciais indígenas no Canadá devem ser destruídos, a não ser que os sobreviventes solicitem a preservação até 19 de setembro de 2027.
  • Mais de 38 mil ex-alunos participaram das investigações sobre abusos físicos, sexuais e mentais; as informações coletadas ajudaram a reconhecer um capítulo central do passado colonial.
  • A Justiça canadense decidiu, em 2017, que os depoimentos deveriam ser apagados após dez anos; apenas os próprios ex-alunos podem pedir a retenção dos arquivos, o que não inclui familiares de falecidos.
  • Comunidades indígenas, acadêmicos e defensores cobram que o governo atue para informar e proteger esses relatos, afirmando que sua destruição poderia violar normas internacionais.
  • Médios e pesquisadores estão buscando novas formas de preservar as informações, enquanto o governo afirma que prepara materiais para alertar sobre o prazo de setembro de 2027.

O destino de documentos que registram abusos em escolas residenciais no Canadá está em risco de destruição. O prazo para pedir a preservação é 19 de setembro de 2027, segundo a Suprema Corte. Procura-se manter provas de danos históricos, mas o governo federal não tem informado amplamente as vítimas.

Investigadores, acadêmicos e comunidades indígenas alertam que, sem preservação, pode desaparecer um conjunto central de evidências sobre abuso sexual, físico e psicológico sofrido por milhares de crianças. Estima-se que mais de 150 mil estudantes indígenas tenham passado por esses centros.

A controvérsia envolve decisões de justiça de 2017, que exigiram a destruição de grande parte dos testemunhos após dez anos, sob a justificativa de confidencialidade. Agora, apenas os ex-alunos podem solicitar a guarda dos seus próprios arquivos.

Entre os afetados, a família de Ivy Dreaver atua para evitar a perda de documentos. Dreaver descobriu apenas em 2023 que o material de sua mãe estava prestes a ser destruído e tem pressionado por sua preservação.

A presidente da Woodland Cultural Centre, Heather George, afirma que o governo falhou em alcançar as vítimas para informá-las sobre o prazo. Ela destaca a responsabilidade pública na chamada para proteger os relatos.

Connie Walker, jornalista de origem Cree, investiga abusos em escolas específicas e afirma que a destruição dos arquivos dificulta o acesso a informações sobre crimes cometidos. Ela já identificou centenas de denúncias em uma escola rural.

A Wings de arquivamento nacional, liderada por ativistas, busca consolidar testemunhos e ampliar o acervo histórico. Advogados e defensores sustentam que a preservação de dados pode contribuir para a responsabilização.

O governo federal diz que está preparando materiais para conscientizar sobre o prazo, sem mencionar medidas adicionais para ampliar a preservação. A defesa pública alega que deve seguir os mandatos que a Suprema Corte fixou.

No caso de Ivy Dreaver, a mãe dos relatos enfrentou abusos na escola Prince Albert, em Saskatchewan, na década de 1960, descritos como castigos severos por falar Cree, humilhações públicas e abuso sexual. A filha agora busca preservar esses registros para as próximas gerações.

O debate permanece central para a reconciliação com o passado colonial do Canadá, já que a documentação pode sustentar investigações históricas e futuras ações de reparação. A data de 19 de setembro de 2027 continua como prazo crucial para preservar parte dessas histórias.

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