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Diretor do órgão eleitoral do Peru renuncia após atrasos e denúncias de fraude

Renúncia do diretor do Organismo Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) do Peru é aceita após falhas logísticas que atrasaram as eleições e alimentaram acusações de fraude

O diretor do Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (Onpe), Piero Corvetto, que renunciou ao cargo (Foto: Germán Falcón/EFE)
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  • O diretor do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), Piero Corvetto, apresentou nesta terça-feira (21) a sua renúncia ao cargo.
  • A decisão ocorreu após atrasos nas eleições gerais causados pela falta de urnas e de seções eleitorais em alguns locais, o que levou o candidato Rafael López Aliaga a alegar fraude.
  • Corvetto enviou a carta à presidente da Junta Nacional de Justiça (JNJ), María Teresa Cabrera, e a JNJ aceitou a renúncia por unanimidade.
  • No primeiro turno, a ausência de urnas deixou mais de 63 mil eleitores sem votar no domingo passado; a votação foi prorrogada até segunda-feira (13).
  • Também há investigações em andamento: gerente de gestão eleitoral do Onpe foi preso, houve queixas-crime contra Corvetto e denúncias contra a empresa envolvida e outros funcionários; o resultado definitivo do pleito ainda depende de atas impugnadas.

O diretor do Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (Onpe), Piero Corvetto, apresentou nesta terça-feira a renúncia ao cargo. A decisão ocorre após atrasos nas eleições gerais, provocados pela falta de urnas e de seções de votação em alguns locais, o que levou Rafael López Aliaga a questionar a integridade do processo.

Corvetto estava à frente do Onpe desde 2020 e enviou a carta de renúncia à presidente da Junta Nacional de Justiça (JNJ), María Teresa Cabrera. Na mensagem, o ex-diretor afirmou que, diante dos problemas operacionais na mobilização do material eleitoral em Lima, renunciar seria necessário para que o segundo turno seja organizado com maior confiança cidadã.

A JNJ aceitou a renúncia por unanimidade minutos após o recebimento da carta e comunicou o acordo às instituições do sistema eleitoral. A decisão abre espaço para reorganização institucional durante o atual processo de disputa pelo segundo turno.

Desdobramentos e investigações

A falta de urnas em alguns locais deixou mais de 63 mil eleitores sem voto no primeiro turno, realizado no domingo passado. A votação foi prorrogada para segunda-feira, para possibilitar a conclusão do pleito em parte das zonas afetadas. O Onpe já havia responsabilizado falhas logísticas por atraso na entrega de material.

José Samamé Blas, gerente de gestão eleitoral do Onpe, foi preso na semana passada por assumir a responsabilidade pelos atrasos na entrega de material e renunciar ao cargo. Também na semana passada, Ronald Angulo, procurador do JNE, apresentou queixa-crime contra Corvetto por falhas logísticas.

Outras acusações envolvem Juan Alvarado Pfuyo, representante da empresa terceirizada Galaga S.A.C., bem como três funcionários do Onpe, entre eles Samamé. Além disso, o programa de TV Willax reportou que caixas com cédulas haviam sido encontradas no lixo em Lima, prática que violaria regras de guarda até a proclamação dos resultados.

López Aliaga ofereceu uma recompensa de 20 mil soles a quem apresentar informações verificáveis sobre irregularidades, fraudes ou sabotagens no sistema eleitoral. O objetivo é contestar o resultado que o mantém na disputa pelo segundo turno, contra Keiko Fujimori.

A Justiça Eleitoral peruana continua analisando milhares de atas impugnadas por inconformidades, o que pode definir o adversário de Fujimori no pleito marcado para 7 de junho. Com 94,3% dos votos apurados, Fujimori aparece com 17% dos votos, o esquerdista Roberto Sánchez tem 12% e López Aliaga soma 11,9%, com diferença de cerca de 17 mil votos entre o segundo e o terceiro colocados.

Estimativas recentes apontam que o resultado definitivo do primeiro turno deve sair na primeira quinzena de maio, segundo a secretária-geral do JNE, Yessica Clavijo, em entrevista à imprensa peruana.

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