- Rasheed Wasiu, 23 anos, ficou mais de cinco anos preso em Lagos sem ser julgado por algo que não cometeu, durante os protestos End Sars.
- Ele foi capturado por um grupo vigilante local, o OPC, levado primeiro a um destacamento militar e depois ao Centro Correcional Kirikiri.
- A acusação inicial era roubo, mas no tribunal constou porte ilegal de armas; o caso permaneceu sem avanço por meses, com apoio jurídico oferecido pela organização Take It Back Movement.
- No início do mês, o tribunal de Lagos anulou o processo por falta de provas, e Rasheed foi libertado.
- Ao retornar para casa, não encontrou a mãe, que está desaparecida; a família continua buscando ajuda para localizá-la.
Rasheed Wasiu, 23 anos, foi preso durante as manifestações anti-polícia no Lagos, Nigéria, em outubro de 2020. Mesmo sem envolvimento comprovado, passou quase seis anos em prisão preventiva à espera de julgamento, em condições precárias na Kirikiri Correctional Centre.
O jovem foi detido após ter saído de casa contra o conselho da mãe, numa região marcada por confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Inicialmente acusado de saque, o caso foi registrado com a acusação de posse ilegal de armas, sem que a acusação fosse esclarecida no processo.
A prisão ocorreu em Lagos, enquanto as manifestações End SARS ganhavam força no país. A repressão policial e ações de grupos de vigilantes contribuíram para detenções em massa, com Rasheed entre os detidos que permaneceram sem tramitação por anos.
Rasheed descreve as condições da prisão como muito duras, com superlotação, alimentação precária e restrições de saúde. Ele relata ainda que precisou realizar trabalhos forçados para sobreviver, incluindo atividades para a própria família carcerária e a venda de itens dentro do complexo.
A demora no andamento do processo levou à intervenção de uma ONG, a Take It Back Movement (TIB), que oferece apoio jurídico gratuito. Em um acordo, o tribunal de Lagos anulou a acusação por falta de provas, liberando Rasheed no início do mês passado.
Ainda que liberado, Rasheed não sabe o paradeiro da mãe, que teria fugido após receber ameaças de prisão. Vizinhança e parentes ajudam a localizar a mulher, que não foi vista desde a detenção do filho.
Após a libertação, Rasheed reside com o tio em outra região de Lagos. Sem previsão de retorno à normalidade, ele busca recomeçar a vida, almejando emprego estável e independência financeira.
Contexto e detenção
Dados oficiais indicam que cerca de 50 mil pessoas estão detidas no país aguardando julgamento, conforme autoridades prisionais. Organizações de direitos humanos apontam que casos como o dele não são incomuns no contexto das prisões Nigerianas.
Libertação e desdobramentos
A decisão judicial que anulou a acusação ocorreu após atuação de advogados da TIB. A organização afirma ter ajudado na libertação de cerca de 100 pessoas detidas durante as protestos End SARS, com ganhos para o fortalecimento do acesso à justiça.
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