- Em 2018, Abhijeet Nath (30) e Nilotpal Das (29) foram mortos após serem cercados por uma multidão em Panjuri Kachari, no Karbi Anglong, Assam.
- A invasão teve como base rumores de que eram sequestradores de crianças propagados por mensagens no WhatsApp e vídeos virais.
- O tribunal de primeira instância condenou 20 pessoas por assassinato e participação em uma reunião ilegal; 25 foram absolvidas por falta de provas; a fixação das penas ocorre na sexta-feira.
- As famílias dos dois homens dizem que a sentença não atende às expectativas de justiça e avaliam recursos legais.
- O caso reacende debates sobre desinformação, responsabilização de plataformas de mensagem e estratégias para conter boatos sem violar privacidade.
Um veredicto traz de volta aos holofotes o caso de 2018 em Assam, na Índia, em que dois homens foram linchados em Karbi Anglong após serem acusados de kidnap. Abhijeet Nath, 30, e Nilotpal Das, 29, estavam numa viagem de Guwahati quando foram mortos pela multidão. O episódio ocorreu em junho daquele ano, em meio a rumores de redes de pedofilia que circularam por mensagens e vídeos virais.
Policiais e investigadores apontaram que uma multidão de cerca de 150 a 200 pessoas se reuniu no vilarejo Panjuri Kachari. Pelo menos 50 integrantes teriam participação direta, usando paus e outros objetos para ceifar as vidas das vítimas. O caso ganhou dimensão nacional ao refletir uma onda de violência movida por desinformação nas redes sociais.
Julgamento recente e veredito parcial
Nesta segunda-feira, um tribunal de primeira instância de Assam considerou 20 réus culpados de homicídio e participação em reunião ilegal. Outros 25 foram absolvidos por falta de provas suficientes. A pronúncia da pena está marcada para ocorrer nesta sexta-feira.
A corte afirmou que o crime não foi apenas um assassinato isolado, destacando o envolvimento de parte da comunidade local com base nas evidências apresentadas. As famílias das vítimas disseram ter ficado insatisfeitas com as absolvições de parte dos acusados e estudam medidas legais.
O que mudou com o caso de 2018
Os pais de Nath e Das contaram que seus filhos eram viajantes ávidos por explorar lugares, o que contrasta com a narrativa de que tinham intenções criminosas. A polícia informou que os homens teriam parado para pedir direções quando o tumulto começou após surgir o boato de que eram sequestradores.
Nos dias e semanas que se seguiram ao incidente, dezenas de pessoas foram presas. Em 2024, a polícia apresentou denúncia contra 48 indivíduos, com três adolescentes entre eles, cujos casos foram encaminhados a um tribunal juvenil. Dentre os réus remanescentes, 25 foram absolvidos.
Contexto mais amplo
O caso se soma a uma série de linchamentos ligados a boatos sobre redes de kidnaping que se propagaram por WhatsApp e vídeos virais em várias regiões da Índia. Autoridades e especialistas destacaram a dificuldade de monitorar conteúdos em plataformas com criptografia de ponta a ponta.
O episódio contribuiu para debates sobre responsabilidade das plataformas digitais e sobre estratégias para conter desinformação sem violar liberdades individuais. Investigadores apontam que medidas técnicas isoladas não bastam, sendo necessária ação comunitária educativa e vigilância local.
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