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Latino-americanos deportados pelos EUA para o Congo vivem em limbo

Deportados dos EUA para o Congo enfrentam doença, detenção tempolu e incerteza em pleno limbo migratório pelo acordo entre Washington e Kinshasa

Carlos Rodelo (à esq.) e Jorge Cubillos em um hotel de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo.
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  • Grupo de quinze latino-americanos foi deportado dos EUA para o Congo, no âmbito de um acordo entre o governo de Donald Trump e o Congo, com origem a Colômbia, Peru e Equador.
  • Os migrantes tinham processos de asilo em andamento e autorização de trabalho nos EUA; o grupo é o primeiro a chegar ao Congo desde o acordo.
  • O Congo afirma que a medida é temporária e para proteger direitos dos migrantes, com acolhimento e apoio financiados pelos EUA; críticos questionam a legalidade e a dignidade da operação.
  • Relatos à BBC News Mundo descrevem condições precárias, falta de água potável, quedas de energia e viagens longas e desumanas, incluindo uso de GPS e detenção em várias unidades nos EUA e no Congo.
  • Casos individuais citados mostram detenções prolongadas, pedidos de proteção ainda não resolvidos e insegurança quanto ao futuro, gerando sensação de limbo entre os deportados.

Durante a última semana, 15 latino-americanos foram deportados dos EUA para a República Democrática do Congo, em Kinshasa. O acordo entre o governo americano e o Congo, assinado durante a gestão de Donald Trump, motivou a operação.

Os imigrantes tinham processos de asilo em andamento ou autorização de trabalho nos Estados Unidos. São originários da Colômbia, Peru e Equador, e chegaram ao Congo após a decisão de remoção.

Jorge Cubillos, colombiano, disse à BBC News Mundo que foi enviado sem explicação. Ele busca tratamento médico e sustenta que deixaram a Flórida, onde morava com a esposa e quatro filhos.

Ações de monitoramento e assistência humanitária foram anunciadas pelo governo congolês, que afirma que a permanência é temporária e financiada pelos EUA. A OIM também informou repasse de apoio aos deportados.

Marta, que preferiu não revelar o nome completo, relata detenção prévia nos EUA, liberação com habeas corpus e, após nova intervenção, a transferência para o Congo. Ela acusa violação de direitos humanos.

Segundo a moradora, agentes do ICE chegaram ao Texas em 2 de abril para verificar endereço, prenderam-na e a levaram para detenção. Ela descreve condições precárias e falta de comunicação com a família.

Hubert Tshiswaka, do IRDH, critica o acordo e aponta riscos legais. Ele afirma que não há base para deslocar pessoas de terceiros países para o Congo e cobra suspensão do acordo.

A BBC buscou a posição do ICE, mas não obteve resposta até a publicação. A OIM disse que o Congo pediu assistência humanitária aos 15 migrantes deportados em 17 de abril.

Algumas pessoas relatam dificuldades em sair de instalações, com relatos de falta de água potável e cortes de energia. Jorge Cubillos afirma estar adoentado e ainda sem previsão de retorno seguro.

Carlos Rodelo, que já tinha proteção sob a CAT nos EUA, relata que foi detido após identificação de agentes do ICE em Maryland. Ele foi transferido para a Louisiane e deportado para o Congo poucos meses depois.

Em Kinshasa, os migrantes descrevem a viagem como longa e desumana, com episódios de amarração durante o trajeto. Um relato adicional traz a lembrança de ter sido convocado para assinar documentos de imigração.

A situação no Congo permanece incerta para o grupo. Eles dizem enfrentar isolamento, o medo do futuro e a falta de informações claras sobre o que acontecerá a seguir.

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