- Imagens de satélite confirmam a demolição de duas igrejas cristãs históricas em Stepanakert, Nagorno-Karabakh, território controlado pelo Azerbaijão desde setembro de dois mil e vinte e três.
- A Catedral da Santa Mãe de Deus e a Igreja de São Jacó foram destruídas; a catedral, iniciada em dois mil e seis e consagrada em dois mil e dezenove, teve o porão usado como abrigo antiaéreo durante conflitos.
- O Conselho Muçulmano do Cáucaso afirmou que as demolições foram planejadas pelo Estado e que as estruturas foram construídas “ilegalmente” durante a chamada ocupação armênia, argumentando que não houve destruição de patrimônio religioso.
- A Igreja Armênia contesta as justificativas azerbaijanas, questionando motivos demográficos e apontando outras igrejas destruídas na região; a ONGOSCE reconhece o direito à autodeterminação, embora o Grupo de Minsk esteja ausente da mediação.
- A destruição gerou críticas internacionais e é tema em meio a eleições na Armênia; Nadine Maenza, ex-presidente da USCIRF, descreveu o ocorrido como genocídio cultural após limpeza étnica de 120 mil pessoas.
Azerbaijão afirma ter demolido duas igrejas cristãs históricas em Stepanakert, Nagorno-Karabakh, território controlado pelo país desde setembro de 2023. Imagens de satélite, citadas pela Rádio Free Europe/Radio Liberty, mostram a demolição da Catedral da Santa Mãe de Deus e da Igreja de São Jacó.
Segundo fontes armênias, as autoridades religiosas tratam a ação como uma campanha para apagar o patrimônio religioso armênio da região. A catedral, iniciada em 2006 e consagrada em 2019, já havia sido utilizada como abrigo durante as ofensivas do período.
A Igreja de São Jacó, concluída em 2007 e financiada por um filantropo armênio-americano, também foi destruída, com cruzes ao redor parcialmente danificadas. A demolição teriam ocorrido nas últimas semanas, segundo evidências de satélite.
Destruição de dois templos em Stepanakert
O Conselho Muçulmano do Cáucaso, ligado ao governo do Azerbaijão, confirmou a demolição planejada, alegando que as estruturas teriam sido erguidas de forma ilegítima durante a ocupação armênia. A entidade argumentou que a remoção não representa ataque a locais religiosos, mas remoção de estruturas existentes antes do período descrito como ocupação.
Lernik Hovhannisyan, presidente do Conselho Diocesano de Artsakh, contestou a versão oficial. Ele destacou a predominância armênia na cidade e questionou por que outras igrejas antigas, em Shushi, não teriam sido tratadas da mesma forma. O líder afirmou que a demolição não condiz com padrões internacionais de autodeterminação.
Aos olhos de organizações internacionais, o tema envolve direito de autodeterminação e proteção de patrimônio religioso. A OSCE, que já mediou o conflito, reconheceu o direito da população armênia da região à autodeterminação, prática que ficou praticamente parada após 2022 e 2023.
Reações e contexto político
A demolição provocou controvérsia imediatamente à véspera de eleições parlamentares na Armênia. Críticos acusam o governo de Nikol Pashinyan de não pressionar por condenação internacional. O premiê afirmou que o governo busca informações completas e ressaltou a prudência, sem condenar publicamente Baku.
Estimativas indicam que cerca de 120 mil armênios étnicos fugiram de Nagorno-Karabakh após as ofensivas que retomaram o território pelo Azerbaijão em 2023. Ainda há armênios detidos no Azerbaijão, segundo relatos.
Nadine Maenza, ex-presidente da USCIRF, descreveu a destruição como genocídio cultural, em publicação nas redes sociais. O texto cita a retirada de presença armênia do território, gerando debate internacional sobre a proteção de locais sagrados.
As informações sobre as demolições foram veiculadas por veículos de imprensa internacionais, com base em imagens de satélite e declarações de autoridades locais. A veracidade das afirmações ainda é objeto de investigações e confirmações oficiais.
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