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Diálogos climáticos podem marcar marco para abandonar combustíveis fósseis

Santa Marta sedia conferência que busca acelerar a transição de fósseis, marco global para democracia climática e renováveis

An oil tanker in the Caribbean Sea at sunset on Tuesday during the Santa Marta climate talks in Colombia this week.
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  • A Colômbia sediou a conferência sobre transição de fósseis, reunindo quase sessenta países com o objetivo de abandonar carvão, gás e óleo.
  • O evento em Santa Marta abriu caminho para uma “nova democracia climática”, reunindo governos, parlamentares e sociedade civil para acelerar a descarbonização.
  • Há leitura de divisão global entre democracias elétricas e petro-dictaduras, com foco em alternativas renováveis e na redução da dependência de combustíveis fósseis.
  • A geração de energia elétrica movida por renováveis superou, pela primeira vez, o carvão, representando sessenta e três por cento da participação de fontes fósseis? (ajuste: manter o dado original: 33,8% vs 33%) — renováveis dominam pela primeira vez, segundo o think tank Ember; Fatih Birol afirma que a crise pode mudar permanentemente o mercado de energia.
  • Não houve novas promessas de financiamento substantivas; debateu-se caminhos como taxação de lucros extraordinários das empresas de fósseis para apoiar a transição.

O governo colombiano abriu, em Santa Marta, o primeiro debate mundial dedicado à transição para fontes de energia limpas. O encontro, que reuniu quase 60 países, aconteceu ao longo desta semana com foco em abandonar o uso de petróleo, gás e carvão. A abertura sinalizou a busca por um novo modelo energético global.

O tema principal foi a construção de trilhas nacionais para a saída gradual dos combustíveis fósseis. Lideranças governamentais, parlamentares e representantes da sociedade civil discutiram estratégias para acelerar a descarbonização sem colocar em risco empregos ou soberania energética. O objetivo é criar um espaço de cooperação entre democracias.

Irene Vélez Torres, ministra ambiental da Colômbia e presidente das sessões, afirmou que o evento representa um novo formato de cooperação entre governos ambiciosos, legisladores e grupos da sociedade civil. A ideia é fomentar um diálogo contínuo para acelerar a transição energética.

Durante as sessões, especialistas destacaram que o aumento recente dos preços de energia e de alimentos, aliado a tensões geopolíticas, reforça a urgência de reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Fatih Birol, chefe da IEA, enfatizou que há hoje opções viáveis em energia renovável, com tecnologia de baterias e veículos elétricos disponíveis para ampliar a confiabilidade do sistema.

A conferência discutiu que a transição poderá transformar a percepção de risco entre países consumidores, levando a uma maior aposta em energias renováveis e em nuclear, com uma redução esperada na demanda por petróleo. Ainda assim, observou-se que não houve novos compromissos financeiros neste encontro.

Pontos de diálogo e caminhos

Especialistas lembraram que o modelo atual depende de grandes fluxos de financiamento para substituição de receitas de exportação de petróleo, gás e carvão. O evento não destinou-se a anunciar novas promessas de recursos, mas apontou caminhos para mobilizar capital privado e explorar instrumentos como impostos sobre lucros extraordinários de grandes empresas de combustíveis fósseis.

Alguns participantes destacaram a importância de planos nacionais de transição que orientem investimentos e garantam justiça social. A ex-presidente irlandesa Mary Robinson reforçou a necessidade de três transições: fora dos combustíveis fósseis, para energia renovável para todos e para uma economia que respeite a natureza, com justiça social.

A partir de Santa Marta, as delegações devem iniciar, antes da próxima conferência, no início do próximo ano no Tuvalu, a elaboração de roteiros nacionais para a eliminação gradual dos fósseis. Esses planos deverão alimentar negociações da ONU sobre clima e incentivar outros países a aderirem à transição.

Apesar do tom otimista, analistas destacam que há um longo caminho pela frente. Mesmo com avanços, decisões em países como Holanda e Reino Unido, que anunciaram novas rodadas de exploração de gás e petróleo, mostram que muitos governos ainda mantêm planos de expansão de fósseis.

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