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Irã: paradoxo entre teocracia conservadora e sociedade civil vibrante

Livro revela o Irã paradoxal entre teocracia conservadora e sociedade civil vibrante, com espaços de mobilização femininos e jovens sob pressão externa

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  • O livro “Tudo sobre o Irão”, de Ricardo Alexandre, baseia-se em centenas de entrevistas realizadas ao longo de vinte anos, destacando o paradoxo entre uma ditadura teocrática e uma sociedade civil vibrante.
  • Após a Revolução Verde de 2009, protestos contra fraudes eleitorais se multiplicaram; o bombardeio dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro pode ter freado essas mobilizações.
  • Segundo o autor, existe uma grande defasagem entre os anseios da população — principalmente jovens bem educados e conectados — e a interpretação conservadora da lei vigente.
  • O movimento das mulheres se intensificou após a morte de Mahsa Amini, em setembro de 2022; muitas mulheres passaram a deixar de usar o hijab nas grandes cidades, com avanços e recuos nas políticas repressivas.
  • O livro também aborda a relação Irã–Estados Unidos (seguindo John Ghazvinian) e aponta que, embora haja espaço para diálogo com moderados de ambos os lados, o discurso hostil em relação a Israel complica a relação com o Ocidente.

O livro Tudo sobre o Irão, de Ricardo Alexandre, analisa o país persa a partir de centenas de entrevistas feitas ao longo de duas décadas. O autor português aborda o paradoxo entre a teocracia conservadora e uma sociedade civil constantemente mobilizada.

Após a Revolução Verde de 2009, surgiram protestos contra fraudes eleitorais que reelegeram Mahmoud Ahmadinejad. Nos anos recentes, movimentos contra o regime se intensificaram, mesmo diante de pressões externas como o bombardeio de EUA e Israel em 28 de fevereiro.

Alexandre afirma que o confronto externo reduziu o espaço para movimentos de mulheres, jovens e trabalhadores. A obra também reúne relatos de campo e destaca a distância entre o regime dos aiatolás e os anseios de amplos setores da população.

O Irã descrito no livro é um histórico de contradições. Por um lado, uma ditadura teocrática; por outro, uma tradição cultural rica, uma classe média educada e uma sociedade civil móvel.

Na pesquisa, aparecem exemplos de resistência criativa, como produção de música pop e espaços artísticos que buscam liberdade apesar das restrições legais. Isso indica que jovens tentam driblar as normas vigentes.

O livro dedica atenção especial ao movimento das mulheres, intensificado após a morte de Mahsa Amini em setembro de 2022. O relato aponta avanços e recuos nas políticas públicas e na aplicação de leis sobre o hijab.

Segundo Alexandre, há profissões excludentes para mulheres nas áreas de ciência e engenharia, ainda que não haja proibição formal. A seleção é desigual, com barreiras em concursos e processos seletivos.

Com base em John Ghazvinian, o livro também explora o relacionamento histórico entre Irã e EUA, destacando um passado de curiosidade mútua nos séculos 18 e 19. A obra sugere possibilidades de entendimento entre moderados de ambos os lados.

Para o autor, a cooperação entre Estados Unidos e Irã pode avançar se houver abertura econômica e diplomática. Ele cita períodos de diálogo sob Barack Obama como referência de caminho possível.

O estudo aponta que, mesmo com o regime vigente, Israel permanece como fator desafiador nas relações com o Ocidente. Segundo o autor, o discurso hostil de destruição dificulta a construção de pontes políticas entre os países.

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