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ICE contrata empresa acusada de tortura para localizar crianças indocumentadas

ICE contrata empresa acusada de tortura para localizar menores não acompanhados, em meio a críticas sobre abusos e possíveis separações familiares

A child with his family and an ICE agent in the halls of immigration court at the federal building in New York City on 23 July 2025.
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  • A Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) contratou a empresa de segurança private MVM Inc. para ajudar a localizar crianças migrantes não acompanhadas que chegaram sozinhas ao país, em um contrato com duração de um ano.
  • O acordo prevê realizar “checagens de bem‑estar” para confirmar localização, matrícula escolar e condições de segurança dessas crianças, incluindo possíveis sinais de abuso ou tráfico.
  • A MVM enfrenta acusações anteriores relacionadas a tortura e desaparecimento forçado no contexto da política de separação de famílias durante a gestão Trump; a empresa nega as acusações.
  • O governo afirma que a parceria não envolve autoridade de fiscalização imigratória, e sim verificação de bem‑estar para proteger crianças vulneráveis; críticos veem como possível retorno de práticas de separação.
  • Outros doze fornecedores disputaram o contrato, mas a MVM foi apontada por possuir os recursos de “ground personnel” necessários; dados sobre o valor do contrato e o número de checagens não foram divulgados.

O ICE assinou um contrato com a empresa de segurança privada MVM Inc para apoiar ações de localização de crianças imigrantes não acompanhadas que chegaram aos EUA sozinhas. O acordo, divulgado em documento de contratação, envolve operações de busca e verificação de bem-estar junto às crianças que já foram liberadas para a comunidade durante o andamento de seus processos migratórios.

A empresa contratada, sediada na Virgínia, tem cerca de 2.500 funcionários e atua no transporte e custódia de migrantes para agências federais. A MVM já prestou serviços para a CIA e, segundo o ICE, não possui poder de imigração, caracterizando a parceria como verificação de bem-estar, não aplicação de leis.

O contrato foi concedido em meados de abril e tem validade de um ano, com valores e o número de verificações ainda não divulgados. De acordo com o ICE, o objetivo é confirmar a localização das crianças, a matrícula escolar e o estado de saúde, buscando sinais de abuso ou tráfico.

O ICE descreve as atividades como “checagens de segurança e bem-estar”, mas documentos internos citados pela imprensa sugerem que as operações visam, entre outros objetivos, a deportação ou o acionamento de processos contra as redes de acolhimento das crianças. Críticas apontam que as ações podem configurar medidas de separação familiar por outros meios.

A DHS afirmou que as ações visam proteger crianças vulneráveis e prevenir exploração sexual, destacando que os contratantes não têm autoridade de fiscalização de imigração. Segundo a pasta, as verificações asseguram que as crianças estejam seguras e com apoio adequado.

Ao longo de 2024, a empresa foi alvo de processo judicial por suposta tortura, desaparecimento forçado e maus-tratos relacionados à política de separação familiar. O caso envolve dois pais guatemaltecos e seus filhos, que teriam sido separados em 2017 com participação de MVM, movido em tribunal federal na Califórnia.

O processo foi ampliado em 2025, após decisões parciais do tribunal, permitindo seguir com acusações de tortura, desaparecimento forçado e maus-tratos. A denúncia afirma que a MVM transportou e hospedou crianças em veículos não identificados e centros de detenção improvisados.

Especialistas destacam preocupações sobre a prática de realizar checagens com terceiros. Organizações de defesa de direitos de crianças ressaltam que intervenções desse tipo podem intimidar famílias e aumentar riscos de deslocamento forçado. Diversos advogados e líderes de organismos de proteção pedem cautela e transparência nos procedimentos.

Ao activar a parceria, o ICE ressaltou que a atuação do MVM não concede poderes de fiscalização e faz parte de uma iniciativa de proteção a crianças vulneráveis. A agência enfatizou que o foco é evitar abusos e expor situações de risco, sem impulsionar medidas punitivas contra famílias ou seus representantes.

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