- A China busca obter vantagem com Trump e Iran antes da cúpula com Xi Jinping, prevista para 14 de maio em Pequim.
- Pequim evita pressionar o Irã de forma direta até receber um pedido explícito de Washington, segundo analistas.
- Portavoz da Embaixada da China afirmou que manter a região estável é interesse de todos e criticou o bloqueio naval dos EUA.
- China diz que prioriza evitar a retomada dos confrontos e aponta que Wang Yi manteve 26 contatos com autoridades do Irã, Israel, Rússia e potências do Golfo antes do cessar-fogo.
- Autoridades iranianas discutem estreitar laços com a China após a guerra; sauditas e Emirados pedem papel diplomático maior de Pequim.
A China trabalha para obter influência sobre o Irã antes da cúpula com o presidente dos EUA, Donald Trump, marcada para começar em 14 de maio em Pequim. Em meio a esse cenário, Pequim pressiona Teerã a negociar, enquanto empresas chinesas continuam exportando itens que podem atender a necessidades militares do Irã.
Autoridades chinesas evitam pressionar o Irã sem um pedido direto de Trump, segundo especialistas ouvidos em Pequim. A estratégia é manter relações estáveis com os dois lados e ampliar oportunidades de contato com Washington, mesmo diante de tensões regionais.
O porta-voz da Embaixada da China nos EUA destacou que é interesse comum manter a área segura e facilitar a passagem de navios, criticando o bloqueio naval dos EUA. O governo chinês não detalhou pedidos específicos a Teerã, mas ressalta a prioridade de evitar novos confrontos.
Contatos e diplomacia
Wang Yi, chanceler da China, manteve 26 ligações com autoridades do Irã, de Israel, da Rússia, de países árabes do Golfo e de outras regiões, antes do cessar-fogo entre EUA e Irã no início de abril. Em duas conversas, falou com o ministro iraniano Abbas Araghchi, reforçando a atuação diplomática de Pequim.
China atribui grande relevância a manter contatos com países da região para mediar o conflito. Um enviado especial para o Oriente Médio viajou à região, intensificando o papel de Beijing como facilitador diplomático, segundo fontes próximas aos governos estrangeiros.
Comércio e alavancas estratégicas
Em relação aos carregamentos para o Irã, fontes oficiais afirmam que a exportação de itens de defesa é tratada com cautela e sujeita a controles rigorosos de dupla utilização. Pequim reiterou o cumprimento de normas internacionais, sem detalhar operações específicas.
Especialistas destacam que o IRGC discute ampliar laços com a China para obter apoio militar semelhante ao fornecedor histórico de Pequim ao Paquistão. Analistas veem a China como polo útil para estabilizar a região, ainda que com cautela.
Contexto regional
Do lado árabe, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos buscam que a China atue como mediadora diplomática maior. Em abril, o príncipe Mohammed bin Salman telefonou para Xi Jinping para tratar da guerra, e fontes sauditas informaram que Pequim foi pressionada a pressionar o Irã a evitar ataques ao reino.
A China aparece como player estratégico que pode influenciar tanto Teerã quanto Washington, mantendo-se neutra na narrativa pública, ao mesmo tempo em que procura consolidar ganhos econômicos e de segurança regional.
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