- Lula viajará aos Estados Unidos nesta quarta-feira (6/5) para reunião com Donald Trump na Casa Branca, marcada para quinta (7/5, hora local.
- O objetivo é discutir cooperação no combate ao crime organizado, bem como temas de minerais críticos, terras-raras e a retirada de sanções comerciais.
- O governo brasileiro não vê temas tabu e pretende abrir diálogo, com prioridade para combate ao crime organizado e à pauta comercial; Brasil pode assinar acordo transnacional de combate ao crime.
- Os EUA estudam classificar facções como Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, o que o Planalto rejeita para evitar interferência externa.
- Em relação ao Pix, o tema é considerado prioridade; há abertura para esclarecer o funcionamento do sistema, que motivou investigação norte-americana sob a Seção 301; a situação envolve ainda outros temas como etanol e desmatamento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para os Estados Unidos na tarde desta quarta-feira (6/5) para uma reunião de trabalho com o presidente Donald Trump na Casa Branca. O encontro ocorre nesta quinta (7/5) e busca discutir cooperação no combate ao crime organizado e temas econômicos.
A viagem marca o retorno das conversas entre os dois líderes desde o contato anterior, em outubro, na Malásia. A visita, inicialmente prevista para março, foi adiada por causa do acirramento do conflito envolvendo EUA, Irã e Israel.
Auxiliares do governo afirmam que não há tema tabu na agenda e que o Brasil busca ampliar o diálogo com os EUA. O objetivo é avançar em cooperação transnacional e negociações sobre sanções e comércio.
Prioridades do governo brasileiro
Do lado brasileiro, a prioridade é o combate ao crime organizado e a cooperação comercial. Os EUA estudam classificar facções como o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, o que o Planalto rejeita.
O Palácio do Planalto tem enviado ao Departamento de Estado propostas para reforçar a cooperação no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, apresentadas em dezembro. A ideia é fortalecer a segurança pública sem intervenções.
A parceria é vista pelo governo como estratégica para evitar tensões eleitorais internas e interferências externas. Um dos objetivos é assinar um acordo de combate ao crime organizado transnacional com a Casa Branca.
Questões tarifárias
No campo econômico, Lula deve tratar de riscos de novas sanções, com foco no Pix. A vice-presidência indicou que o tema será prioridade nas conversas com Trump.
Em julho de 2025, os EUA abriram uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas desleais, envolvendo o Pix, no âmbito da Seção 301. A apuração pode resultar em novas sanções e medidas protecionistas.
Alckmin afirmou que a investigação não faz sentido e defendeu esclarecer o funcionamento do Pix. Ele destacou que o modelo brasileiro é amplamente utilizado como referência.
Caso Ramagem
As relações diplomáticas ficaram tensas após a expulsão de um delegado da PF que atuava nos EUA e participou da prisão de Ramagem. O governo brasileiro reagiu com reciprocidade, elevando a tensão entre as autoridades dos dois países.
Ramagem, cassado em 2025, foi detido nos EUA em Orlando por visto vencido e condenado em processo ligado a atividades golpistas. Ele receberá avaliação de pedido de asilo, segundo as autoridades norte-americanas.
A PF informou que a prisão ocorreu com base na cooperação entre os dois países, enquanto os EUA sustentaram a verificação do status migratório. O governo brasileiro prometeu manter o diálogo, com cautela nas medidas de cooperação.
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