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Memes como propaganda de guerra desconstroem percepção da realidade, aponta especialista

Memes e IA redefinem a fronteira da guerra, desautorizando narrativas oficiais e minando a confiança pública em fatos e fontes.

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Imagem: Professora Tine Munk,
  • Especialista Tine Munk afirma que memes e inteligência artificial viraram frente de batalha no conflito entre Estados Unidos e Irã, moldando narrativas nas redes sociais.
  • Memes treinados com dados ocidentais ajudam a tornar conteúdos ocidentais mais visíveis, permitindo que conteúdos iranianos soem nativos para públicos americano e europeu.
  • Os vídeos iranianos costumam apresentar narrativa mais coesa, enquanto os norte‑americanos são mais fragmentados, misturando imagens reais com cultura pop.
  • O maior risco é a desconfiança generalizada em relação a tudo, o que pode reduzir a credibilidade de governos e da imprensa diante de eventos reais.
  • Medidas sugeridas: alfabetização midiática, responsabilidade das plataformas e foco em informações factuais, evitando censura.

A professora Tine Munk, da Universidade de Nottingham Trent, alerta que memes treinados por IA estão se tornando parte do conflito entre EUA e Irã. Eles moldam percepções em tempo real e viram uma frente de guerra, não apenas instrumentos de comunicação.

Segundo a pesquisadora, diferentes tipos de guerra memética já aparecem em conflitos recentes, com o uso de plataformas digitais para influenciar emoções e legitimar ações. O debate atual envolve como conteúdos virais podem redefinir narrativas, antes mesmo de checagens formais.

A análise de Munk parte do aumento do uso de memes ao longo de confrontos recentes, incluindo a Ucrânia. Ela afirma que redes sociais deixaram de apenas reportar: passam a integrar a estratégia militar, impondo padrões de interpretação para diferentes públicos.

O material circulante usa memes de diversas origens, desde referências culturais ocidentais até imagens de filmes e jogos. Memes produzidos com IA tendem a soar nativos para audiências americanas ou europeias, independentemente do país de origem.

Para a pesquisadora, a força desses conteúdos não está só na veracidade. O maior risco reside na desconfiança generalizada que eles criam ao longo do tempo, dificultando distinguir fato de ficção.

Ela aponta diferenças entre as estratégias iranianas e norte-americanas. Vídeos iranianos costumam apresentar narrativa mais coesa e passo a passo, enquanto conteúdos dos EUA aparecem de forma fragmentada, com mistura de imagens reais, filmes e cultura pop.

A desinformação em grande escala pode erodir a legitimidade de governos e instituições, segundo Munk. Quando o público não distingue mais fato de falha de verificação, isso afeta jornalismo e decisões políticas.

Embora o Irã tenha visibilidade nesse espaço, a pesquisadora ressalta que não se trata de uma estratégia isolada. O atual formato de guerra memética reflete uma transformação ampla, em que conteúdos digitais moldam o clima do conflito.

Entre as recomendações, destaca-se a alfabetização midiática como medida de longo prazo. Questionar a origem, o público-alvo e a mensagem implícita antes de compartilhar é essencial para reduzir a eficácia da desinformação.

A pesquisadora também defende que plataformas precisam de incentivos reais para moderar conteúdos nocivos, sem recorrer à censura. A clareza sobre dados usados para treinar conteúdos também é apontada como medida relevante.

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