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Gabrielle Goliath comenta pavilão cancelado e exibe obra em igreja de Veneza

Pavilhão da África do Sul cancelado na Bienal de Veneza; obra permanece em igreja vizinha, enfatizando femicídio, genocídios namibiano e luto palestino

Gabrielle Goliath's "Elegy" at La Chiesa di Sant'Antonin in Venice.
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  • O Pavilhão da África do Sul na Bienal de Veneza ficará vazio neste ano após decisão do ministro da cultura, Gayton McKenzie, de cancelar o pavilão da artista Gabrielle Goliath por ser “altamente divisivo”.
  • A instalação, porém, pode ser vista a cerca de meio quilômetro de distância, dentro da igreja La Chiesa di Sant’Antonin, onde fica a série Elegy.
  • Em vários vídeos, Elegy presta homenagem a vítimas de atrocidades na África do Sul e além, incluindo femicídio, o genocídio Herero e Nama e, na edição recente, a morte da poeta palestina Hiba Abu Nada.
  • O cancelamento é visto pela artista como resultado da política de censura envolvendo conteúdo palestino; segundo Goliath, o conteúdo sobre femicídio e genocídio foi considerado aceitável, mas o tema palestino deveria ser removido.
  • Na quinta-feira, será lançado o Elegy Reader pela Ibraaz Publishing, com leituras públicas de poemas em Veneza, ampliando o ato de memória coletiva.

Gabrielle Goliath mantém a instalação Elegy em Veneza, mesmo com a retirada do South Africa Pavilion dos Giardini. A decisão de cancelar o pavilhão, tomada pelo ministro da Cultura da África do Sul, Gayton McKenzie, foi anunciada no início do ano. A mostra, porém, pode ser apreciada a menos de 1 km do local original, na Igreja de Sant’Antonin, com a circulação de visitantes autorizada durante a Bienal de Veneza.

A autora transforma a igreja do século XII em espaço de memória. O projeto reúne várias versões de Elegy, que registram violência contra mulheres, pessoas LGBTQ+ e povos historicamente afetados. A nova edição destaca também a morte da poeta palestina Hiba Abu Nada, assassinada em 2023, em meio a um panorama de luto por violações de direitos humanos.

Os recursos sonoros da instalação utilizam vozes de mulheres, que sustentam tons de lamento ao longo da nave. Em determinado momento, as vozes se unem, em outros se separam, revelando a dinâmica da narrativa artística e a tensão entre corpos negros e pessoas racializadas e as imagens de muralismo presente no espaço.

Mudança de local e reação

A decisão de transferir a obra para Sant’Antonin gerou debates sobre censura e prioridades culturais, especialmente no que diz respeito a conteúdos relacionados ao conflito palestino. A artista afirmou que um conjunto de mensagens recebidas em dezembro sinalizou apoio à parte da obra que trata de femicídio, mas pediu a retirada de aspectos ligados à vida palestina.

Desde o anúncio da mudança, Goliath recebeu apoio de instituições civis e culturais, incluindo organizações internacionais que financiaram projetos anteriores. O gesto de abrir o espaço da igreja aos visitantes foi descrito como um ganho para a leitura da obra em contexto público.

Novo desdobramento this semana

Nesta quinta-feira, será lançado o Elegy Reader, livro da Ibraaz Publishing com poemas que dialogam com Gaza, genocídio namibiano, femicídio na África do Sul e conflitos em outros países. Goliath fará uma leitura pública de poemas em Veneza, aberta a quem desejar participar, ampliando a leitura coletiva do luto que envolve a obra.

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