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Apoio a Putin encolhe na Rússia em meio à guerra e à crise

Quinto ano de guerra amplia pessimismo na Rússia, com queda de confiança, crescimento da depressão e críticas ao Kremlin ganhando espaço nas redes

Presidente russo Vladimir Putin, acompanhado pelo diretor-geral da Sociedade Znaniye, Maxim Dreval, visita a exposição “Heróis da operação militar especial: um feito de unidade” em Moscou, Rússia, em 30 de abril de 2026. Sputnik/Vyacheslav Prokofyev/Pool via REUTERS
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  • No quinto ano de guerra, a confiança no rumo da Rússia cai e o pessimismo se espalha, com ataques ucranianos se aproximando do interior e inflação alta.
  • Críticas ao Kremlin ganham força nas redes sociais, impulsionadas por um vídeo da influenciadora Victoria Bonya dirigido a Putin, visto por dezenas de milhões.
  • A popularidade de Putin recuou para 66% na semana até 19 de abril; 55% dos russos aprovam a direção do país, os menores índices desde o início do conflito.
  • Medidas de repressão à internet e restrições sociais alimentam o descontentamento, enquanto autoridades não divulgaram índices políticos nesta semana.
  • Apesar do descontentamento, não há sinais claros de ameaça direta ao poder, mas o descontentamento pode explodir de forma imprevisível e impactar as eleições de setembro.

Nos últimos anos, o apoio à atuação militar russa na Ucrânia vem sendo questionado por parte da população, mesmo diante de um relato de fervor nacionalista inicial. No quinto ano de guerra, pessimismo cresce entre os cidadãos, agravado por ataques de drones ucranianos e restrições na internet, justificadas pelo Kremlin como medidas de segurança.

Enquanto o desfile do Dia da Vitória se aproxima, críticas ao Kremlin se intensificam em redes sociais. Pesquisadores dizem que a tolerância ao status quo está diminuindo, e apontam um desgaste gradual da confiança nas estruturas de poder ao redor de Putin.

A viralização de um vídeo dirigido a Putin pela influenciadora Victoria Bonya, com quase 14 milhões de seguidores, acelerou o debate público. Em meados de abril, Bonya afirmou que as pessoas têm medo do governante e que muitos enfrentam dificuldades reais no país, gerando centenas de milhares de comentários.

Analistas destacam que o conteúdo gerou um efeito cultural significativo. Comentários regionais relatam que a violência diária, fechamento de empresas e migração de profissionais alimentam a percepção de deterioração econômica e social, refletindo mudanças no humor público.

Em Tuapse, próximo ao Mar Negro, relatos de fumaça tóxica e vazamentos no entorno de uma refinaria estimularam uma resposta de emergência regional. A cidade tem registrado ataques de drones que também atingem infraestrutura estratégica, elevando a sensação de insegurança local.

Dados oficiais indicam queda na confiança sobre a direção a seguir pelo país. Pesquisas do instituto estatal VTsIOM apontam, na semana até 19 de abril, aprovação de Putin em 66%, abaixo de 74% de dois meses antes. A parcela que vê o país no rumo certo ficou em 55%, menor patamar do período.

O levantamento independente Levada, divulgado em 30 de abril, mostra pessimismo maior entre a população, com números menores sobre o rumo do país. Analistas citam a pressão econômica, com inflação elevada e juros altos, como fatores que alimentam o desencanto.

Spokespersons do Kremlin e de institutos ligados ao governo anunciaram que não divulgarão índices políticos naquela semana, aumentando a percepção de controle sobre a comunicação oficial. O tom do governo diante da crise é de resistência, sem sinais de mudança de rumo.

O discurso de Putin, previsto para o desfile de 9 de maio, deve manter tom desafiador, mesmo diante de restrições de armamento pesado por temores de ataques. Observadores ressaltam que ainda não há indicação de abdicação ou de mudança de estratégia da liderança.

Crítica interna também se intensifica. Comentadores pró-Kremlin de menor linha de fidelidade expressam ceticismo quanto à capacidade de vitória militar, sugerindo previsões de que Putin poderá perder força ainda neste ano. O tema divide pareceres dentro das redes e entre analistas.

Entre oposicionistas e simpatizantes, há relatos de aumento de depressão ligado ao peso econômico e ao prolongamento do conflito. Farmácias registraram elevação na demanda por antidepressivos, e buscas sobre como deixar a Rússia cresceram online, segundo reportagens de veículos de pesquisa e jornalismo econômico.

Especialistas ressaltam que o descontentamento não se traduz necessariamente em protestos de massa, devido ao endurecimento da repressão. Contudo, há alerta de que tensões podem emergir de forma inesperada, caso fatores econômicos ou políticos se agravem.

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