- Mohammed Asasa acabava de enterrar o pai, Hussein Asasa, quando uma turma de moradores judeus de Sa-Nur forçou a exumação do corpo, sob ameaça de armas.
- Familiares tiveram de abrir o túmulo para retirar o cadáver sob pressão, depois o levaram morosamente para um local seguro.
- O Exército de Israel afirmou ter intervindo para apreender ferramentas de escavação e evitar mais tensões, mas a família diz ter visto soldados ficarem impassíveis diante da pressão dos colonos.
- Sa-Nur, que fica no alto da colina sobre o cemitério, foi reocupada recentemente, com grande parte da área designada como “zona militar fechada”, restringindo o acesso aos palestinos.
- O Escritório para os Direitos Humanos da ONU condenou o incidente, destacando a desumanização dos palestinos na região ocupada e o aumento da violência relacionada aos colonos.
Mohammed Asasa retornou após enterrar o pai, Hussein, de 80 anos. Logo, crianças da casa alertaram sobre o desenterro de uma sepultura feita no morro acima do vilarejo de Asasa, perto de Jenin, na Cisjordânia.
O pai, respeitado na comunidade, morreu na semana anterior por causas naturais. O enterro ocorreu de acordo com a tradição islâmica, em um espaço simples no cemitério local, distante da casa da família.
Preparativos foram feitos com a aprovação de uma base militar próxima para evitar conflitos durante o funeral. Menos de meia hora depois, moradores viram colonos judeus de Sa-Nur, vindos para a área, trabalharem com ferramentas pesadas na nova sepultura.
Sa-Nur e a intervenção
Os colonos, armados, teriam avançado até a laje que restava e ameaçaram retirar o corpo. Os familiares tentaram negociar antes de intervir diretamente para proteger o túmulo, segundo relato da família.
A área de Sa-Nur fica no alto do morro acima do cemitério; o governo israelense autorizou a retomada da ocupação, em meio a decisões polêmicas sobre novas comunidades na Cisjordânia.
Relatos de vídeo mostram a família remexendo o buraco sob a vigilância dos colonos, que teriam exigido que o enterro fosse desfeito. O Exército Israelense disse ter intervindo para confiscar ferramentas e evitar tensões.
Reações e contexto
A IDF emitiu nota condenando ações que prejudiquem a ordem pública, a lei e a dignidade dos vivos e dos falecidos. O Escritório das Nações Unidas para Direitos Humanos classificou o episódio como chocante e sinal de desumanização na região.
Autoridades locais apontam que o incidente evidencia tensões intensificadas desde a reocupação de Sa-Nur. Moradores relatam invasões de terras e interrupção de atividades agrícolas na área.
Dados recentes indicam aumento de violência relacionada a colonos na Cisjordânia, com relatos de mortes, ferimentos e expulsões de famílias locais, conforme coberturas de veículos internacionais. Hussein Asasa foi enterrado novamente pela família em outra localidade, sem cerimônia pública no vilarejo original.
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