- A BBC revelou a liderança de uma rede de contrabando de migrantes responsável pela maioria das travessias ilegais no Canal da Mancha nos últimos anos.
- O principal contrabandista, de 28 anos, iraquiano curdo, operava sob o alias “Kardo Ranya”; seu nome real é Kardo Muhammad Amen Jaf.
- A rede liga rotas do Afeganistão ao Reino Unido, cobrando cerca de € 17.000 por viagem e promovendo um “serviço VIP” com promessa de viagem mais segura.
- Entre as vítimas e desdobramentos, está o caso de Shwana, 24 anos, que chegou à França e desapareceu no mar; outro membro ligado ao grupo, Noah Aaron, cumpre uma pena de dez anos na França.
- O suspeito nega envolvimento direto, mas a investigação aponta a existência do grupo conhecido como “Ranya Boys”; Jaf está sendo procurado por autoridades europeias, com localização atual desconhecida.
A BBC revelou a identidade de um dos principais contrabandistas de pessoas por meio de uma investigação. O homem, identificado como Kardo Ranya em operação, é um cidadão curdo iraquiano de 28 anos que atuava sob pseudônimo havia anos. A rede dele seria responsável pela maioria dos principais deslocamentos informais no Canal da Mancha.
Segundo o jornalismo investigativo, o contrabandista operava sob um nome de fantasia para evitar prisões persistentes. O real nome de Kardo Ranya, revelado pela apuração, é Kardo Muhammad Amen Jaf. A investigação mostra que ele não utilizava apenas um país, mas atuava com contatos na região e em várias fronteiras europeias.
A reportagem descreve rotas que vão do Afeganistão até o Reino Unido, com base em contatos no mundo do contrabando. Kardo Ranya teria escolhido o apelido a partir da cidade de Ranya, no Curdistão, região associada a redes de tráfico transnacionais, conforme estudo de 2024 da Chatham House.
Detalhes da investigação
A polícia britânica aponta que a maior parte do modelo de negócio de barcos pequenos é controlada por curdos. A National Crime Agency afirmou que vários contrabandistas ligados a Ranya tiveram foco de investigação recente. Em camps franceses de migrantes, a rede costuma ser chamada de Ranya Boys.
Os serviços de contrabando cobravam cerca de 17 mil euros por pessoa, transporte completo do Iraque até o Reino Unido, segundo testemunhas. Mesmo com preço superior a rivais, a oferta era apresentada como mais segura, com serviço VIP para quem pudesse pagar.
A travessia por mar segue sendo ilegal e arriscada, e tem causado mortes ao longo dos anos. Desde 2020, as chegadas em barcos pequenos representam a maioria das entradas ilegais no Reino Unido, quase sempre com pedido de asilo.
Desdobramentos e pessoas ligadas
Entre os migrantes destacados pela apuração, Shwana, de 24 anos, foi uma das vítimas: o jovem partiu de Ranya para o norte da França, em novembro do ano anterior, e desapareceu no mar. O barco levou apenas menos de 20 pessoas, e quatro morreram no trajeto, conforme relatos de passageiros.
A reportagem aponta ainda que o grupo via WhatsApp coordenava as travessias. Um número utilizado pelos contrabandistas apareceu em anúncios de Kardo Ranya nas redes sociais. Um familiar de Shwana confirmou a ligação da família à Região de Ranya.
Noah Aaron, associado ao grupo Ranya Boys, foi condenado a 10 anos de prisão na França por lavagem de dinheiro e organização de entrada ilegal de estrangeiros. A apuração indica que Aaron atuava entre Reino Unido e Europa por anos, mesmo com mandados pendentes.
Kardo Jaf, agora identificado com o nome verdadeiro, está foragido e é alvo de questionamentos de autoridades europeias. O paradeiro atual do empresário permanece desconhecido, e a polícia continua as investigações para eventual detenção.
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