- ONGs alertam que mudanças climáticas aumentam a desigualdade de gênero e pressionam governos antes da cúpula do G7, com 47,8 milhões de mulheres a mais sofrendo insegurança alimentar no mundo (ACF).
- Aumento de 1°C na temperatura está ligado a queda de 4,7% na segurança das mulheres, segundo estudo da Spotlight Initiative; secas e enchentes elevam violência de gênero e casamentos infantis.
- ONU Mulheres prevê que até 2050 até 158,3 milhões de mulheres e meninas podem entrar na extrema pobreza se não houver ação.
- A ajuda internacional ao desenvolvimento caiu 23,1% em 2025, totalizando US$ 174,3 bilhões; Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido, Japão e França correspondem a 95,7% dessa redução.
- Cortes de financiamento afetam diretamente ONGs e programas locais, prejudicando operações e beneficiários, conforme organizações como Plan International França.
Os impactos das mudanças climáticas sobre a desigualdade de gênero ganham espaço na agenda de ONGs à véspera da cúpula do G7, na França, prevista para junho. Organizações lembram que anúncios políticos nem sempre se traduzem em financiamento efetivo.
Segundo a Ação Contra a Fome (ACF), 47,8 milhões de mulheres a mais que homens enfrentam insegurança alimentar no mundo. A entidade considera a desigualdade de gênero tanto causa quanto consequência da fome, agravada por fenômenos climáticos.
Estudos apontam que cada aumento de 1°C na temperatura global está ligado a 4,7% de alta na violência doméstica, conforme pesquisa da Spotlight Initiative, aliança da UE, ONU e governo mexicano. Eventos extremos elevam ainda riscos para mulheres, como em inundações.
O Panorama de Gênero 2025 da ONU Mulheres projeta que a inação climática pode levar até 158,3 milhões de mulheres à extrema pobreza até 2050. A pressão internacional busca influenciar políticas públicas antes do G7.
Redução da ajuda
Apesar da presidência francesa do G7 e da chamada diplomacia feminista 2025-2030, ONGs apontam redução da ajuda internacional. Dados da OCDE indicam que, em 2025, a AOD totalizou US$ 174,3 bilhões, queda de 23,1% em relação a 2024, com 95,7% da retração envolvendo Alemanha, EUA, Reino Unido, Japão e França.
O Fundo de Apoio às Organizações Feministas (FSOF), considerado símbolo da diplomacia francesa, sofreu cortes, segundo Plan International France. Representantes ressaltam que a diminuição afeta operações de ONGs internacionais, organizações locais e milhões de beneficiários.
A ACf destaca que a redução de recursos compromete programas de educação, saúde e proteção, contribuindo para mortes, crianças fora da escola e casamentos infantis, conforme relatos de organizações. Países que defendem a igualdade são citados como parte do problema quando reduzem recursos.
Mulheres na base da preservação
Especialistas defendem incluir mulheres das comunidades vulneráveis nas políticas públicas. Elas são fundamentais para estratégias de adaptação, preservação ambiental e práticas agrícolas. Pesquisadores ressaltam que, com apoio, mulheres se tornam agentes de mudança na resposta climática.
Doações de ONGs para associações locais aparecem como exemplo de impacto positivo, como microcrédito e projetos comunitários que elevam a renda de agricultoras. Narrativas de comunidades indígenas ressaltam a necessidade de maior participação feminina nas decisões internacionais.
Autoridades pedem que governos priorizem a participação de mulheres rurais e grupos marginalizados, a fim de ampliar a efetividade de ações climáticas. A imprensa internacional continua monitorando o desdobramento da agenda do G7 e o destino dos recursos destinados às mulheres e à proteção ambiental.
*Com AFP*
Entre na conversa da comunidade