- Líderes europeus, incluindo Friedrich Merz, passaram a enfrentar publicamente a administração de Donald Trump em temas como Irã, Ucrânia e soberania europeia.
- Crises recentes — como a tentativa de Washington de obter Groenlândia e a interferência na eleição na Hungria — ampliaram a percepção de que a UE tem menos dependência dos EUA.
- Dados do Sipri mostram queda na participação dos Estados Unidos em transferências de armas para a Europa, de 64% no período 2020-2024 para 58% em 2021-2025, sinalizando maior autonomia europeia.
- Desde março de 2025, o financiamento à Ucrânia passou a depender mais da UE, com cerca de 60% do hardware vindo da produção doméstica ucraniana e 20% de fornecedores europeus; mesmo assim, Washington mantém capacidades estratégicas.
- A União Europeia encaminha medidas para reduzir a dependência americana em defesa e tecnologia, incluindo resposta comercial mais firme e o uso de instrumentos de antocoerção, caso haja novas pressões.
O recuo de influência de Washington sobre a Europa ganha espaço público entre líderes do continente. Formas de enfrentamento a políticas de Donald Trump passam a ser discutidas abertamente, principalmente em temas como Irã, Ucrânia e soberania europeia.
A guinada ocorre diante de decisões e declarações da administração norte-americana que os europeus veem como instáveis. Comentários firmes de líderes europeus sinalizam uma postura mais independente na política externa.
O episódio de críticas do chanceler alemão a Trump refletiu esse movimento, visto como parte de uma série de intervenções duras de outros chefes de governo na Europa. A tensão inclui situações envolvendo Irã e a relação da Otan.
Mudança de tom com relação a Irã e Ucrânia
A crise no Irã expôs que a Europa depende de infraestrutura militar baseada no continente para projeção de poder no Oriente Médio, sugerindo uma relação de dependência mútua. A despesa de defesa europeia cresceu e mais recursos vão para a indústria local.
Paralelamente, a Ucrânia passa por transformação financeira e militar. O papel dos EUA na ajuda financeira mudou, com maior participação da União Europeia no financiamento, enquanto a Europa aumenta a compra de armamentos de fabricantes europeus.
A Europa também avalia impactos de reduções de apoio americano em áreas como inteligência e defesa aérea. Governo europeu entende que ajustes norte-americanos não implicam colapso imediato de Kyiv, fortalecendo a ideia de uma Ucrânia menos dependente de Washington.
Perspectivas e impactos na política europeia
A postura europeia tem foco na soberania estratégica e na diversificação de fornecedores de defesa. Medidas de retaliação comparativas a tarifas dos EUA já foram aprovadas, com objetivo de reduzir vulnerabilidades e de risco econômico recíproco.
Ao mesmo tempo, a relação com os EUA permanece relevante em questões de inteligência, defesa e cooperação tecnológica. A percepção de que a influência de Trump diminuiu, inclusive entre partidários, reforça um espaço para diálogo mais firme entre os blocos.
A guinada não é apenas diplomática: envolve avaliações sobre como a Europa pode responder com instrumentos legais e econômicos a pressões externas. A análise de especialistas aponta para maior autonomia na condução de políticas estratégicas.
- Mujtaba Rahman, diretor-gerente para Europa na Eurasia Group, aponta para uma mudança de postura mais assertiva dos europeus frente aos EUA.
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