- Um estudo mostra a rápida erosão do soft power dos EUA sob o governo de Donald Trump em pouco mais de um ano, atingindo instituições da ordem internacional liberal.
- O governo promovido por Trump teria desorganizado o sistema de comércio com tarifação, enfraquecido o FMI e o Banco Mundial, paralisado o Conselho de Segurança e abandonado o Acordo de Paris.
- Também houve enfraquecimento da Otan, a renegociação do Nafta com foco na soberania de Canadá e México e intervenções como a invasão da Venezuela, bloqueio a Cuba e alinhamento com Israel contra o Irã.
- O estudo Democracy Perception Index 2026, feito em 68 países, aponta os EUA na 64ª posição na percepção positiva versus negativa, acima apenas de Irã, Afeganistão, Coreia do Norte e Israel, com queda desde 2025.
- Pesquisadores como Stephen Walt defendem que o uso agressivo de poder econômico e militar dificulta manter o soft power norte-americano, com possíveis efeitos duradouros para o Oriente Médio e a economia global.
Donald Trump, ao assumir o governo dos EUA, é apontado em estudo internacional como fator central na rápida erosão do soft power estadunidense. A análise descreve mudanças rápidas em políticas e alianças que, segundo o levantamento, abalaram a ordem internacional liberal pós-Guerra.
O estudo atribui ao governo de Trump ações que derrubaram pilares de cooperação econômica e multilateral: tarifas elevadas, enfraquecimento de instituições como FMI e Banco Mundial, paralisação do Conselho de Segurança, saída do Acordo de Paris e reconfiguração da relação com a OTAN. Além disso, é citado o impacto em relações com México, Canadá, Venezuela e Cuba, bem como o endurecimento de confrontos com o Irã e com Israel no contexto regional.
O levantamento, encomendado pela Alliance of Democracies e elaborado pela empresa japonesa Nira Data, envolve 68 países. O objetivo é medir percepções sobre democracia, segurança e conflitos globais, comparando avaliações de nações. Os EUA ocupam a 64ª posição no Democracy Perception Index 2026, ficando à frente apenas de Irã, Afeganistão, Coreia do Norte e Israel.
Na prática, o índice aponta queda acentuada na popularidade internacional dos EUA a partir de 2025, ano marcado pela gestão 2.0 de Trump. O relatório descreve o fenômeno como erosão acelerada do soft power, conceito que traduz a capacidade de influenciar pela persuasão e pelos valores compartilhados, em vez de coerção.
Especialistas ajudam a embasar a leitura dos dados. O professor Stephen Walt, da Universidade de Harvard, sustenta que o uso excessivo de poder econômico e militar por parte de Washington compromete a reputação global dos EUA, conforme argumenta em artigo publicado pela Foreign Policy.
O estudo enfatiza que a presença de poder brando é crucial para a atuação internacional sustentável. Países se tornam potências ao combinar instrumentos de coação com a atração de valores compartilhados. A avaliação sugere que a trajetória recente pode ter efeitos duradouros na influência global dos EUA.
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