- A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para o bloco, em meio a pressão de pecuaristas irlandeses.
- Representantes da Irlanda, com a Associação de Produtores Rurais (IFA) e o Irish Farmers Journal, viajaram pelo Brasil (mais de 3 mil quilômetros) para investigar o uso de antibióticos na produção de gado de corte.
- O relatório aponta venda de antibióticos potentes sem prescrição ou registros em lojas agropecuárias, além de falhas na rastreabilidade dos animais.
- Em dezembro, a Irlanda informou que 128 quilos de carne brasileira com estradiol foram distribuídos a três empresas do setor, levando a recolhimento de produtos e a novas preocupações.
- Governo brasileiro e setor insistem que a medida será revertida e ressaltam que exportações ao UE seguem possíveis até setembro, com a adoção de novos protocolos sanitários.
A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina e outros produtos de origem animal. A decisão, segundo Bruxelas, envolve padrões sanitários, mas é vista por analistas como resultado de pressão de produtores europeus, especialmente da Irlanda.
Pecuaristas da Irlanda, liderados pela Associação dos Produtores Rurais (IFA), pressionam o Parlamento e a Comissão Europeia para aumentar entraves às carnes brasileiras, alegando concorrência com preços mais baixos. O movimento ganhou apoio de veículos setoriais, como o Irish Farmers Journal.
No ano passado, a IFA e o IFJ viajaram pelo Brasil, percorrendo mais de 3 mil quilômetros em quatro estados para investigar controles e uso de antibióticos em rebanhos de gado de corte. A conclusão aponta venda de antibióticos sem receita, sem identificação de fazenda ou de animal.
Relatório publicado em novembro descreve que antibióticos potentes são vendidos sem prescrição em lojas agropecuárias, violando normas de saúde pública. O documento cita prática sem rastreabilidade e sem verificaçāo de estoque, o que contraria exigências da UE.
Durante o evento Congresso Mundial da Carne em Cuiabá, de 28 a 30 de outubro de 2025, dois irlandeses relataram encontrar antibióticos vendidos sem controle, incluindo combinações de ceftiofur, ibuprofeno, tulatromicina e cetoprofeno. O relatório sugere falhas na rastreabilidade animal.
O governo irlandês informou, em dezembro, que 128 kg de carne bovina brasileira contendo estradiol foram distribuídos a três empresas na Irlanda, parte de remessas para a Irlanda do Norte. Houve recolhimento e notificação à UE; o episódio é considerado isolado.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) prevê novas tentativas de bloqueio a produtos brasileiros. Deputados afirmam que a medida é política, não sanitária, e lembram que o Brasil exporta para mais de 170 mercados com padrões reconhecidos internacionalmente.
O governo brasileiro afirmou ter sido pego de surpresa com a decisão da UE e prometeu tomar medidas para reverter a medida. O setor enviado à imprensa ressalta que a exportação de carne para a UE permanece possível até setembro, conforme protocolo vigente.
Especialistas destacam que o uso de barreiras sanitárias no comércio internacional tem se intensificado. O Brasil sustenta que atende a exigências rigorosas e que a decisão europeia pode refletir interesses políticos dos produtores locais.
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