- Dmitri Muratov, ganhador do Nobel da Paz de 2021, participou do painel Coragem e Liberdade no São Paulo Innovation Week, promovido pelo Estadão, que segue até sexta-feira, 15.
- Ele afirma que o mundo vive uma era de escassez da realidade e alerta para o risco de um novo fascismo, impulsionado por fake news e pelos algoritmos.
- Muratov ressaltou a trajetória do Novaya Gazeta, jornal que ajudou a fundar na Rússia, lembrando a morte de sete jornalistas; chegou a cogitar fechar a publicação, mas houve apoio de Mikhail Gorbachev.
- O Nobel alertou sobre mentiras atraentes geradas por inteligência artificial e algoritmos, citando o exemplo de uma foto falsa do Papa Francisco com casaco Balenciaga que viralizou.
- Sobre o Nobel, mencionou que a medalha foi leiloada em 2022 por US$ 103,5 milhões para ajudar crianças ucranianas refugiadas; não possui mais a medalha e pediu apoio do Brasil para libertar presos políticos da Rússia.
Dmitri Muratov, ganhador do Nobel da Paz em 2021, participou do São Paulo Innovation Week e alertou para o que chamou de era da escassez da realidade. Em um painel sobre coragem e liberdade, o jornalista destacou riscos como fake news e algoritmos que moldam o consumo de informações.
O evento, promovido pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, ocorreu no Pacaembu e na Faap, em São Paulo. O festival reúne mais de 2 mil palestrantes de áreas diversas, anunciando novidades em tecnologia, ciência, educação e geopolítica, entre outros temas, até sexta-feira.
O histórico de Muratov
Muratov defendeu a continuidade do jornalismo independente na Rússia e recordou jornalistas do Novaya Gazeta que morreram desde o início da guerra na Ucrânia. Ele contou ter ponderado fechar o veículo, mas jornalistas insistiram em seguir investigando, com apoio de Mikhail Gorbachev.
Verdades e algoritmos
O Nobel destacou os perigos das notícias falsas e de imagens geradas por IA que ocupam espaço entre os fatos. Segundo ele, a atenção das pessoas é disputada por conteúdos virais, o que favorece o surgimento de mentiras atraentes nas redes sociais. Um exemplo citado foi uma imagem falsa do Papa Francisco com casaco Balenciaga.
Autoritarismos e governos
Muratov afirmou que governos populistas exploram mecanismos democráticos para consolidar poder, sem abrir mão do controle. Em relação ao próprio Nobel, disse que a medalha ampliou a voz para discutir prisões e mortes de jornalistas. Questionou se a sociedade está disposta a priorizar a verdade frente à conveniência.
Perguntas sobre o prêmio
Ao falar sobre a relação com potenciais “concorrentes” ao Nobel, o jornalista mencionou a venda da medalha em leilão para fins humanitários, destino dos recursos a crianças ucranianas refugiadas. Encerrou solicitando que o Brasil use sua influência diplomática para pressionar a libertação de presos políticos na Rússia.
Mensagem final do painel
O painel encerrou com um apelo de Muratov a utilizar a diplomacia brasileira para defender prisioneiros políticos russos. Ele destacou a importância de que o Brasil, como membro do BRICS, participe ativamente desse esforço.
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