- O senador Ronald Dela Rosa, ex-chefe de polícia das Filipinas, é acusado pelo Tribunal Penal Internacional de crimes contra a humanidade ligados à guerra às drogas em Manila.
- O TPI afirma que ele conspirou com o ex-presidente Rodrigo Duterte durante a repressão, cuja campanha resultou em milhares de mortos; Duterte foi preso em Haia, em março de 2025, sob mandado relacionado a execuções durante a guerra às drogas.
- Dela Rosa, de 64 anos, nega envolvimento em assassinatos e pediu à população que interviesse para impedir sua entrega ao TPI, enquanto ocorria tensão no Senado na quarta-feira, 13.
- No governo de Duterte, Dela Rosa chefiou a Polícia Nacional das Filipinas e lançou o Projeto Double Barrel, visando neutralizar traficantes; houve aumento de mortes após o início da operação, com números oficiais na casa de milhares.
- Após deixar a polícia, ele ocupou cargos no governo e foi eleito senador em 2019, sendo reeleito em maio de 2025; reapareceu no Senado pela primeira vez desde novembro, participando de votação que influenciará o processo de impeachment de a vice-presidente Sara Duterte.
Ronald Dela Rosa, senador filipino, aparece acusado pelo Tribunal Penal Internacional de crimes contra a humanidade relacionados à chamada guerra às drogas, que ocorreu sob a gestão do então presidente Rodrigo Duterte. A acusação envolve a atuação de Dela Rosa quando chefiava a polícia nacional, entre 2016 e 2018, período em que o programa de enfrentamento às drogas ganhou ritmo intenso em todo o país.
A tensão aumentou quando o ex-chefe da Polícia Nacional, popularmente conhecido como Bato, contagiou o ambiente com tom de confronto. Em Manila, o som de disparos foi associado aos eventos no Congresso durante a quarta-feira, marcando o cenário de desdobramentos legais e políticos em torno do caso.
Dela Rosa nega envolvimento em assassinatos ilegais, conforme justificativa apresentada por seus defensores. Rodrigo Duterte, que governou de 2016 a 2022, também sustenta sua inocência. Em março de 2025, Duterte foi detido e levado a Haia, sob mandado ligado a mortes ocorridas na campanha de tropas de drogas.
Contexto do papel de Dela Rosa no combate às drogas
Ao assumir a presidência, Duterte nomeou Dela Rosa para chefiar a Polícia Nacional, autorizando uma reprodução do modelo de Davao em âmbito nacional. A política de segurança pública anunciada incluiu medidas restritivas, com foco na suposta neutralização de envolvidos com drogas ilegais em todo o país.
Nos primeiros dias no cargo, Dela Rosa divulgou decretos para ampliar a repressão às drogas, alinhando-se à promessa de campanha de Duterte. O programa Double Barrel, concebido para intensificar ações contra traficantes, resultou em aumento observado de mortes em operações policiais, segundo registros oficiais da época.
Dela Rosa ficou conhecido pela retórica dura durante o combate às drogas. Declarações associadas à atuação policial foram citadas em documentos judiciais que ajudam a fundamentar as acusações no TPI, segundo promotores da Justiça Internacional.
Desenvolvimento e consequências
Um mês após a nomeação, Dela Rosa disse publicamente que seria necessário agir com firmeza contra primeiros toques do tráfico, incluindo ações que envolviam mortes de chefões do narcotráfico. O tom de imposição de violência esteve presente em discursos divulgados na época.
Ao final da gestão de Duterte, o número oficial de mortos na guerra antidrogas ultrapassou 6,2 mil, segundo dados do governo filipino. Ativistas, porém, estimam impactos ainda maiores, com vítimas entre grupos vulneráveis e moradores urbanos.
Trajetória política de Dela Rosa
Após deixar a polícia, Dela Rosa ocupou o cargo de diretor-geral do Departamento Penitenciário. Em 2019, foi eleito senador com mais de 19 milhões de votos, ficando em quinto lugar. Em maio de 2025, foi reeleito para um novo mandato no Senado.
Dela Rosa reapareceu em sessão do Senado na segunda-feira, após permanecer fora de público desde novembro. Seu retorno ocorreu no contexto de votações que influenciarão processos internos, como o impeachment da vice-presidente Sara Duterte.
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