- Brics realiza, em Nova Deli, a Cúpula de Chanceleres, preparando-se para a reunião de chefes de Estado de setembro, com foco nas guerras no Oriente Médio e na Ucrânia.
- O Irã acusou os Emirados Árabes Unidos de estarem diretamente envolvidos nos ataques recentes, elevando a tensão entre Teerã e Abu Dhabi, que não enviou o chanceler, sendo representado pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Khalifa Shaheen Al Marar.
- O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que precisou esclarecer fatos sobre a guerra ao participar das discussões dos Brics; o assunto foi colocado em pauta pelo Irã, mas houve ruptura com a agenda do bloco.
- O Irã informou que, na guerra, não houve escolha senão atacar instalações dos EUA nos Emirados e em países da região com participação norte-americana, conforme declaração de seu vice-ministro de Relações Exteriores.
- O objetivo do Irã de obter apoio do Brics para condenar Estados Unidos e Israel encontrou resistência; a coesão do bloco está sob pressão devido às divergências entre membros, incluindo países do Golfo, que participam como parceiros ou membros.
O Brics realiza, nesta semana, a Cúpula de Chanceleres em Nova Deli, na Índia, antecipando o encontro de chefes de Estado. O objetivo é discutir temas de segurança internacional, incluindo conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. A reunião ocorre em um momento de tensões entre membros do bloco.
Durante as sessões, o Irã acusou os Emirados Árabes Unidos de estarem diretamente envolvidos em ataques recentes contra o Irã. Abu Dhabi foi representada no encontro pelo vice-ministro Khalifa Shaheen Al Marar, já que o chanceler Emirati não viajou à Índia. A fala iraniana elevou a tensão entre dois parceiros do Brics.
O chanceler iraniano Abbas Araghchi explicou em conversa com a imprensa que o Irã procurou esclarecer fatos sobre a guerra no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que reclamou de tentativas de pautas externas durante a reunião. O vice-ministro Gharibabadi afirmou que o Irã reagiu diante do contexto de conflito, defendendo sua posição.
Racha nos Brics
As divergências ficaram mais evidentes pelo contexto regional envolvendo o Golfo Pérsico. O Irã tem promovido ações retaliação em resposta a ataques coordenados por EUA e Israel, que também impactaram aliados da região. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita condenaram as ações iranianas, mantendo distâncias institucionais.
No Brics, contudo, o Irã tenta obter apoio para uma condenação conjunta aos Estados Unidos e a Israel, buscando respaldo entre os membros. A iniciativa, conforme apuração, não ganhou consenso e não deve avançar na pauta do bloco.
A percepção de coesão nos Brics é ambígua: o grupo cresce com a adesão de novas potências, o que aumenta a diversidade de interesses. Entre os membros, há pontos de alinhamento, mas também diferenças que dificultam decisões coletivas em temas sensíveis.
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