- O Departamento de Justiça dos EUA acusa a Yale University de considerar raça de forma ilegal no processo de admissão à escola de medicina, conforme carta a Harmeet Dhillon.
- A investigação aponta que estudantes negros e hispânicos têm maior probabilidade de serem admitidos, mesmo com notas inferiores, em comparação com brancos ou asiáticos.
- O DOJ busca um acordo voluntário para que Yale cumpra o Título VI da Lei de Direitos Civis de 1964, com possibilidade de levar o caso à Justiça se não houver conformidade.
- Dados de 2023, 2024 e 2025 indicam diferenças nas médias de GPA e nos percentis de MCAT entre grupos; Black teve média de GPA de 3,88 e MCAT no percentil 95, enquanto Asian e White tiveram GPA de 3,98 e 3,97, com MCAT no percentil 100.
- A denúncia ocorre no contexto de forte pressão para encerrar o uso de raça nas admissões em universidades e após decisão da Suprema Corte de 2023 que proibiu ações afirmativas; na semana passada, a Justiça notificou a UCLA sobre uso de raça nas admissões.
A Justiça dos EUA acusou a Yale University de considerar ilegalmente raça na admissão ao seu medical school. A denúncia, anunciada nesta quinta-feira, marca a segunda instituição a enfrentar alegações de discriminação pela Justiça federal neste mês.
Segundo a carta dirigida a Harmeet Dhillon, advogada responsável pela área de direitos civis, a investigação aponta que estudantes negros e hispânicos têm probabilidade significativamente maior de serem admitidos, mesmo com médias e notas de testes inferiores aos de candidatos brancos ou asiáticos. A acusação sustenta violação do Title VI da Civil Rights Act de 1964.
A universidade de New Haven, em Connecticut, foi informada de que a instituição pode buscar um acordo voluntário ou levar o caso à justiça para fazer cumprir a legislação. O Departamento de Justiça indica que pode recorrer mesmo sem acordo, caso não haja conformidade.
Dados apresentados no material indicam diferenças entre as médias de GPA e resultados de provas entre as turmas de 2023, 2024 e 2025. Na turma mais recente, estudantes negros teriam média de GPA de 3,88, com MCAT no percentil 95, enquanto estudantes asiáticos apresentaram GPA médio de 3,98 e brancos 3,97, com MCAT no 100º percentil para ambos.
A Justiça aponta ainda que o uso de um processo de admissão holístico funcionou como meio de considerar raça, o que, segundo o órgão, favoreceria candidatos negros em comparação com candidatos asiáticos com credenciais equivalentes. O documento cita, ainda, participação da Yale em um debate jurídico anterior sobre diversidade e admitiu que manter classes diversas dependeria de considerar raça de forma explícita.
A carta menciona que a persistência de resultados de admissão não ter mudado após o precedente da Suprema Corte de 2023 alimenta a alegação de descumprimento voluntário das diretrizes federais. Também foi mencionada uma recente notificação à UCLA, cuja escola médica foi acusada de usar raça na seleção de ingressos.
O DOJ expôs que pode firmar um acordo voluntário com a Yale para resolver a questão ou, se necessário, abrir processo para impor ações corretivas com base no Title VI. A instituição não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.
Entre na conversa da comunidade