- No 15º Plano Quinquenal (2026-2030), a agricultura passa a ser prioridade de segurança nacional na China.
- A China continua sendo o maior importador global de agro e o Brasil, seu fornecedor mais competitivo, com exportações para aquele país crescendo cerca de 20% ao ano e acima de US$ 50 bilhões.
- Metas do plano incluem produção de 725 milhões de toneladas de grãos por ano, expansão de terras com irrigação e mecanização, sementes soberanas e melhorias de crédito e infraestrutura no campo.
- O foco também é elevar a renda rural, integrar urbano-rural e ampliar programas de saúde e educação no campo, com muitos pequenos produtores já idosos.
- Relatório da Systemiq aponta redução de 25% nas importações de soja até 2030 e 35% a 55% da proteína animal atendidos por proteínas alternativas até 2050, mas as projeções devem ser lidas com ceticismo; a China continuará grande produtora, consumidora e importadora, ainda com limitações de terras e água.
O governo chinês divulgou, em março, o 15º Plano Quinquenal (2026-2030), que redefine a agricultura como questão de segurança nacional. Pela primeira vez, a produção agropecuária deixa de ser apenas tema econômico-social para figurar como prioridade estratégica do Estado.
A mudança sinaliza que a China atuará para proteger a segurança alimentar e ampliar a fronteira tecnológica no campo. A proposta acompanha metas de longo prazo para reforçar irrigação, mecanização, sementes soberanas e crédito rural, além de infraestrutura no campo.
Metas e prioridades do plano
Entre os objetivos, está a produção anual de 725 milhões de toneladas de grãos, valor que exige expansão de áreas de alto padrão, com tecnologia e manejo eficientes. A China planeja avançar em sementes nacionais e biotecnologia com uso em larga escala.
Outro eixo envolve renda rural, integração urbano-rural e programas de saúde e educação no campo, beneficiando milhões de pequenos produtores, muitos já idosos. O desafio é transformar um setor fragmentado em potência tecnológica.
Cenário externo e implicações
Relatórios internacionais indicam que a China tende a reduzir importações de soja e que proteínas alternativas devem atender boa parte da demanda proteica até 2050. Contudo, especialistas alertam para o ceticismo diante de projeções e da complexidade biológica dos sistemas agroalimentares.
Apesar do potencial de crescimento da oferta brasileira, as restrições de terras férteis e de uso de água limitam cenários para ampliar a participação no mercado chinês. O Brasil é hoje fornecedor relevante, mas a prudência recomenda diversificar exportações.
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