- Em al‑Bustan, no setor de Silwan, leste de Jerusalem, mais de cinquenta e sete casas foram demolidas nos últimos dois anos e pelo menos oito ordens de demolição estão previstas para as próximas semanas.
- O motivo é econômico: a prefeitura de Jerusalém disse que demolir com seus operários custa 280 mil shekels, enquanto alugar maquinário e mão de obra por conta própria fica em menos de um décimo desse valor.
- O parque temático Kings Garden, ligado a uma suposta área bíblica, está programado para ocupar o local, onde jovens e famílias vivem há anos. A área é vista por muitos como parte de um projeto arqueológico centrado no passado judaico de Jerusalém.
- Moradores relataram que, mesmo com resistência, já houve demolição de casas que abrigavam várias gerações; algumas famílias permanecem, enquanto outras ocupam cabanas temporárias entre os escombros.
- Autoridades sustentam que as casas eram ilegais e que o parque beneficiaria a comunidade, mas moradores e especialistas contestam, apontando a marginalização de palestinianos e a descaracterização histórica da região.
Palestinians demolem casas próprias em al-Bustan, em Jerusalém, enquanto a prefeitura planeja parque temático bíblico Kings Garden. A retirada ocorre há semanas, impulsionada por planos municipais de uso da terra.
Mais de 57 casas já foram demolidas em al-Bustan nos últimos dois anos, parte do distrito de Silwan, no leste da cidade. Pelo menos oito imóveis estão com ordem de demolição para as próximas semanas.
A demolição é executada com o apoio de máquinas, após a prefeitura dizer que as moradias são ilegais e que o parque atenderá moradores da cidade. Organizações locais contestam o enquadramento legal.
Kings Garden e o planejamento
O Kings Garden seria erguido no local de antigas residências, com foco em uma narrativa histórica judaica de Jerusalém. A obra é associada a projetos arqueológicos centrados no que é chamado de Cidade de Davi.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o projeto envolve controvérsia sobre o que resta da história palestina na área e sobre deslocamentos forçados.
Impactos na comunidade
Familiares demovidos descrevem perdas de memórias, vidas e trabalhos. Moradores que resistem temem perda de moradia, especialmente famílias com idosos e crianças.
Entre os moradores, há relatos de dificuldades para conseguir opções de moradia alternativa e de pressões para aceitar a demolição. A prefeitura afirma que há tentativa de solução.
Visão crítica e contexto
Analistas de organizações de direitos humanos apontam que a operação intensifica a erasure palestina do território, associada a um projeto maior de afirmação da identidade judaica na área.
Autoridades municipais afirmam que o projeto é benéfico para a cidade e que a área não era zonada para uso residencial, buscando ampliar espaços públicos.
Reações e cenário político
Internacionalmente, há oposição de grupos que defendem uma Jerusalém de convivência bi-nacional. Ainda havia resistência local e apoio externo, mas não alterou o curso das demolições até o momento.
Moradores citam que a situação perdura há quase duas décadas e que mudanças políticas influenciam as ações e prazos do processo.
Entre na conversa da comunidade