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Gaza se reconstrói com blocos de Lego feitos de escombros

Gaza avança com blocos intertravados de escombros, o projeto Green Rock transforma detritos em blocos tipo Lego diante da escassez de materiais

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  • Em Gaza, materiais de construção continuam bloqueados, levando moradores a transformar entulho em blocos reutilizáveis tipo Lego para abrigos.
  • O projeto Green Rock, liderado por Suleiman Abu Hassanin, recicla escombros de prédios destruídos combinando-os com solo local e ligantes alternativos, sem depender de cimento em grande escala.
  • A construção com entulho ocorre em meio a mais de 60 milhões de toneladas de escombros na região, com centenas de milhares de deslocados vivendo em tendas.
  • Os blocos interligados, sem uso de argamassa tradicional, têm desempenho térmico e acústico melhor que as lonas e tendas usadas hoje; produção atual fica entre mil e mil e quinhentos blocos por dia.
  • O método reduz custos de construção em cerca de cinquenta a sessenta por cento e oferece oportunidade de trabalho para pessoas deslocadas, mas ainda é experimental e não substitui a reconstrução em larga escala.

Gaza avança na reconstrução com blocos de entulho no lugar de materiais convencionais, enquanto a entrada de cimento, aço e demais insumos permanece bloqueada. A iniciativa surge como resposta à escassez causada pelo bloqueio israelense e pelos estragos da guerra. Em meio a isso, moradores tentam transformar escombros em moradias temporárias.

O projeto Green Rock, liderado por Suleiman Abu Hassanin, transforma destroços em blocos tipo Lego que se interligam sem 100% de argamassa. O método utiliza solo local e ligantes alternativos desenvolvidos na faixa, com máquinas simples movidas a mão. O objetivo é reduzir a dependência de cimento.

A ideia nasceu da necessidade prática de reconstruir diante da ausência de soluções rápidas. Abu Hassanin afirma que a meta é converter destruição em recurso, em vez de desperdiçar entulho. A equipe testa os blocos para atender padrões de engenharia, com apoio técnico externo.

A produção atual varia entre 1.000 e 1.500 blocos por dia, número suficiente para erguer abrigos pequenos em duas semanas, em teoria. Ainda assim, operários enfrentam cortes de energia, infraestrutura danificada e mobilização manual de resíduos reciclados.

Desempenho técnico e aplicação

Engenheiro Wajdi Jouda ajudou a definir dimensões e estrutura dos blocos, buscando padrões de estabilidade compatíveis com a construção local. Testes iniciais sugerem melhor isolamento térmico e acústico em relação às tendas usadas por famílias desalojadas.

Apesar dos avanços, o projeto permanece experimental e não foi testado em larga escala para reconstrução de longo prazo. O ritmo de produção depende do racionamento de energia, da logística de transporte e da disponibilidade de ferramentas.

Contexto e impactos

Em Gaza, a reconstrução depende de soluções locais frente à escassez de materiais importados. O custo de construção com o método pode cair entre 50% e 60%, além de gerar empregos para quem coleta e transforma entulho. A iniciativa não substitui planos maiores, mas atua como alternativa imediata.

Para Abu Hassanin, o significado do projeto vai além dos blocos: representa a participação de moradores na reconstrução de suas casas, em vez de apenas receber ajuda. A ideia é transformar o que resta em parte da solução, mesmo diante de limitações severas.

No contexto atual, o entulho deixa de ser apenas lixo para se tornar a principal matéria-prima de uma reconstrução que precisa ser rápida, econômica e local. Gaza, com materiais de construção restritos, encara esse caminho de adaptação como ferramenta de sobrevivência.

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