- New report da International Crisis Group aponta que o crime organizado é (agora) um grande obstáculo à proteção da Amazônia, expandindo controle sobre grandes áreas e prejudicando ações contra desmatamento, tráfico de drogas e mineração ilegal.
- Grupos ligam-se transfronteiriços e bloqueiam o acesso de guardas ambientais, ONGs e agências da ONU às áreas protegidas, deixando vastas trechos da floresta sem monitoramento.
- Em Colômbia, comunidades indígenas e guardas estão sem defender grande parte das áreas protegidas, com grupos armados não estatais ocupando territórios de forma regular.
- A atuação criminosa alimenta violência e danos ambientais na região, com destaque para Putumayo, Caquetá e Amazonas, controlados por facções como os Comandos da Fronteira, dissidência das FARC.
- O relatório aponta falhas de coordenação entre governos, falta de diálogo com comunidades indígenas e necessidade de cooperação entre autoridades, povos tradicionais e mecanismos de cruzamento de informações, além de chamar compradores internacionais a assegurar cadeias de suprimento legítimas.
O novo relatório da International Crisis Group aponta que o crime organizado se tornou um obstáculo considerável à proteção da Amazônia. Grupos criminosos atuam de forma transnacional, ampliando o controle sobre vastas áreas e dificultando ações contra desmatamento, mineração ilegal e tráfico de drogas.
Segundo o documento, organizações operam em várias frentes e se articulam para manter comunidades afastadas do Estado, criando um vácuo de governança que favorece atividades ilícitas. A presença dessas redes aumenta a violência e o destruição ambiental na região.
A pesquisa destaca casos na Colômbia, onde guardas de áreas protegidas foram impedidos de entrar em reservas, deixando trechos extensos da mata sem monitoramento. Demais agências, ONGs e órgãos ambientais também enfrentam restrições recorrentes.
Putumayo, Caquetá e Amazonas aparecem entre os territórios mais atingidos pela expansão do crime organizado, com atuação de grupos dissidentes do FARC, como os Comandos de la Frontera, além de redes que operam no Brasil, Equador e Peru.
O relatório aponta falhas de coordenação entre governos nacionais, além de distâncias entre autoridades e comunidades indígenas, alimentando desconfianças e dificultando políticas conjuntas de combate, monitoramento e conservação.
Indígenas e guardas comunitários trabalham sob pressão, muitas vezes sem apoio adequado, para proteger ativos naturais, o que rende desafios adicionais em relação à proteção de famílias dependentes da terra.
Entre as recomendações, está a aproximação entre forças de segurança e comunidades indígenas, uso de conhecimentos locais e melhoria da cooperação transfronteiriça. Também é enfatizada a necessidade de leis ambientais harmonizadas.
O estudo ainda aponta responsabilidade de compradores internacionais de ouro e outros minerais para que as cadeias de suprimento não incorporem produtos ilícitos, fortalecendo controles sobre a origem dos insumos.
Desafios de coordenação entre governos
A crise expõe a necessidade de ações integradas entre autoridades, ONGs e comunidades para enfrentar a atuação de redes criminosas que cruzam fronteiras e territórios.
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