- Xi Jinping e Vladimir Putin se reuniram em Pequim e condenaram a política nuclear dos Estados Unidos.
- Em comunicado conjunto, eles criticaram a expiração do último acordo nuclear que limitava os arsenais americanos e russos; o tratado venceu em fevereiro sem resposta de extensão por parte de Moscou.
- Os líderes mencionaram o Domo de Ouro de Trump, afirmando que o plano norte‑americano para um sistema de interceptação de mísseis representa uma ameaça à estabilidade estratégica global.
- O pesquisador Lier Ferreira, da Universidade Federal Fluminense, afirma que o pronunciamento é relevante para a segurança global e que o Domo de Ouro pode alterar as possibilidades estratégicas entre os três países.
- Ferreira aponta que, se os Estados Unidos moverem a construção do Domo de Ouro, é provável que Putin e Xi respondam buscando uma aliança militar, o que poderia desequilibrar a balança geopolítica mundial.
Na manhã desta quarta-feira (20), Xi Jinping e Vladimir Putin se reuniram em Pequim para tratar da situação nuclear global e de questões de segurança. Os dois líderes emitiram um comunicado conjunto criticando a política nuclear dos Estados Unidos e a expiração do último acordo de controle de armamentos entre Washington e Moscou.
O encontro ocorreu em Pequim e abordou o fim do tratado START, que limitava arsenais estratégicos. Segundo o texto, o acordo expirou sem resposta de Washington a uma proposta de extensão apresentada pela Rússia por um ano. Pistamas também estiveram na pauta, com o apoio à ideia de reforçar defesas contra mísseis.
Além disso, Xi e Putin destacaram preocupações sobre o projeto conhecido como Domo de Ouro, criado nos EUA para interceptação de mísseis balísticos. Os anfitriões afirmaram que o plano representa uma ameaça à estabilidade estratégica global, segundo o comunicado conjunto.
Implicações estratégicas
Especialistas ouvidos pela imprensa brasileira comentam que o fim do START impacta a segurança global. Para o pesquisador Lier Ferreira, da UFF, o texto dos líderes tem peso político relevante, mesmo sem mudanças imediatas na operacionalidade dos arsenais. Ferreira aponta que qualquer avanço de Washington na defesa antimíssil pode exigir resposta de Moscou e Pequim.
Caso os EUA avancem com o Domo de Ouro, a avaliação é de que China e Rússia podem buscar fortalecer uma aliança militar para manter o equilíbrio regional. A situação é apresentada como um ponto de inflexão que pode redesenhar o cenário geopolítico, com maior estreitamento de cooperação entre as duas potências.
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