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México e UE devem assinar acordo para se protegerem das tarifas de Trump

México e União Europeia assinam acordo de livre comércio ampliado para reduzir dependência dos EUA, incluindo serviços, compras governamentais, comércio digital e agro

Monumento do Anjo da Independência na Cidade do México
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  • México e União Europeia devem assinar nesta sexta-feira (22) um acordo de livre comércio que amplia o pacto de 2000 para incluir serviços, compras governamentais, comércio digital, investimentos e produtos agrícolas.
  • O objetivo é reduzir a dependência dos Estados Unidos e diversificar as exportações de ambos os lados, diante das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
  • A assinatura ocorre na Cidade do México, durante a primeira cúpula entre os líderes mexicano, da UE e do Conselho Europeu em mais de uma década.
  • O Ministério da Economia do México estima que as exportações para a UE subam de cerca de US$ 24 bilhões por ano para US$ 36 bilhões até 2030; a UE exporta cerca de US$ 65 bilhões para o México anualmente.
  • O acordo prevê acesso livre de tarifas para quase todos os produtos, com cotas para alguns itens, e precisa ainda passar pela aprovação do Parlamento Europeu.

O México e a União Europeia vão assinar um acordo de livre comércio nesta sexta-feira, 22, na Cidade do México. O objetivo é ampliar o pacto existente desde 2000, incluindo serviços, compras governamentais, comércio digital, investimentos e produtos agrícolas. A assinatura ocorre em meio a tensões comerciais com os EUA.

O acordo busca reduzir a dependência econômica dos países em relação aos Estados Unidos, especialmente diante das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. A assinatura ocorre após consenso geral alcançado em 2025, com atraso na formalização do texto final.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, devem participar do ato em território mexicano. A cúpula marca a primeira reunião desse tipo em mais de uma década.

A líder da política externa da UE, Kaja Kallas, afirmou que a cúpula representa não apenas uma integração comercial, mas uma sinalização geopolítica. O objetivo é diversificar as exportações dos dois lados para além dos EUA.

A moeda de tensão entre as partes envolve tarifas dos EUA aplicadas a exportações europeias e mexicanas, incluindo automóveis, aço e alumínio. Embora tenha havido uma trégua tarifária, as taxas continuam elevadas e motivam a busca por alternativas comerciais.

Dados oficiais indicam que o acordo pode elevar as exportações mexicanas para a UE de US$ 24 bilhões para cerca de US$ 36 bilhões até 2030. A UE atualmente exporta aproximadamente US$ 65 bilhões para o México anualmente.

O comércio entre México e UE cresceu 75% nos últimos dez anos, com foco em equipamentos de transporte, maquinário, químicos, combustíveis e mineração. O novo pacto prevê acesso preferencial, com isenção de tarifas para quase a maioria dos produtos, respeitando cotas em alguns itens.

Processo e próximos passos

O acordo, já pronto, aguardou assinatura devido a prioridades da UE com Mercosul e outros acordos recentes. A UE concluiu negociações com Indonésia, Índia e Austrália nos últimos meses.

No México, o governo tem mantido cautela para não irritar o governo americano durante as negociações. Atualmente, mais de 80% das exportações mexicanas vão aos EUA, o que explica a prudência em movimentos comerciais.

Aprovação legislativa

Na União Europeia, a ratificação deve ocorrer no Parlamento Europeu, com expectativa de aprovação em alguns meses. A votação está condicionada aos próximos passos diplomáticos e às negociações em curso entre as partes.

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