- A corte de apelação anulou a eleição de liderança de 2023 do Partido Republicano do Povo (CHP), removendo Özgür Özel e demais dirigentes.
- Milhares de pessoas foram às ruas de Ancara protestar; Özel chamou a decisão de “golpe judicial” e disse que vai recorrer ao tribunal e ao Conselho Supremo de Eleições (YSK).
- O provável substituto de Özel seria Kemal Kilicdaroglu, com a troca de todo o executivo do CHP; decisões anteriores do partido não são reconhecidas.
- O mercado turco caiu cerca de 6% na quinta-feira, antes de recuperar parte das perdas na manhã de sexta, em meio a tensão política.
- Em outro desdobramento, o presidente Recep Tayyip Erdogan ordenou o fechamento da Bilgi University, em Istambul; o Conselho de Ensino Superior assegurou que estudantes não seriam prejudicados.
A Justiça de Ankara derrubou a liderança do maior partido de oposição turco, o CHP, e substituiu Özgür Özel por Kemal Kılıçdaroğlu. A decisão ocorreu após uma apelação que contestou a eleição de 2023 para o comando do partido. O veredito aponta para a nulidade da votação interna que escolheu Özel.
Milhares de manifestantes foram orientar a sede do CHP em Ancara após a decisão. Özel afirmou que a medida representa um golpe institucional e prometeu contestar a decisão nos tribunais e no Conselho Superior de Urna (YSK). O partido reagiu com críticas à extensão da intervenção judicial.
O Ministério da Justiça, representado pelo ministro Akin Gürlek, disse que a decisão fortalece a confiança na democracia. Gürlek foi indicado pelo presidente Tayyip Erdogan este ano e atuava como procurador-chefe de Istambul, onde conduziu investigações contra a oposição, em especial o prefeito Ekrem İmamoğlu, preso por supostas ilegalidades.
A Suprema Junta Eleitoral (YSK) manteve reunião na sexta-feira para ouvir a contestação da CHP sobre a decisão judicial, enquanto o tribunal de apelação em Ankara já definiu que Özel deve deixar o posto de líder e que o cargo passa a Kilicdaroglu, de 77 anos, derrotado por Erdogan na eleição presidencial de 2023.
O acórdão também indica a troca de todo o comando executivo do CHP, com implicações sobre decisões já tomadas pelo partido. Na redação de Ayşe Sayin, correspondente da BBC Turkish, a movimentação surpreendeu o quadro do CHP, gerando tensão entre filiados que retiraram símbolos do ex-líder e tiveram gestos de apoio ao ex-prefeito.
O impacto financeiro foi imediato: o câmbio de ações turcas recuou cerca de 6% na tarde de quinta-feira e recuou parcialmente na manhã de sexta, refletindo incerteza política. Erdogan, no poder desde 2003, é visto como mantendo firme controle por meio de ações legais e políticas contra rivais.
Paralelamente, Erdogan ordenou o fechamento da Bilgi University, de Istambul, uma instituição com cerca de 22 mil estudantes. A ação gerou críticas entre acadêmicos, que destacaram a perda de anos de construção institucional. O Conselho de Ensino Superior prometeu medidas para minimizar impactos aos alunos.
Istanbul e Ankara mantêm-se como polos de reação, com os melhores aliados do CHP prometendo manter a coesão. Oposição e governo projetam cenários diferentes para as próximas semanas, incluindo possíveis novas estratégias legais e políticas em torno das eleições.
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