- DR Congo enfrenta novo surto de Ebola, com cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas desde 24 de abril, começando em Bunia, Ituri.
- Hospitais estão lotados e não há vagas de isolamento para casos suspeitos em várias unidades de saúde.
- Fatores como uma nova cepa, dependência de áreas remotas em conflito e costumes de enterro dificultam a resposta, agravados por cortes de ajuda humanitária.
- Ataques da milícia ADF e um incêndio em um centro de tratamento em Rwampara evidenciam violência local e obstáculos à contenção.
- Autoridades proibiram velórios, determinando que enterros sejam realizados por equipes especializadas e limitando eventos a no máximo cinquenta pessoas; o contato próximo continua a compor risco de transmissão.
O Congo Democrático enfrenta uma nova onda da Ebola, com relato de já haverem quase 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas desde o início da atual sequência em 24 de abril. A doença teve início em Bunia, capital da província de Ituri, e se espalha para outras regiões, incluindo North e South Kivu. Organizações humanitárias afirmam que o sistema de saúde está saturado e que a resposta enfrenta dificuldades logísticas, conflitos locais e normas culturais ligadas a velórios.
Feridas pela violência e pela pobreza, as equipes de saúde descrevem um cenário de sobrecarga: hospitais sem leitos de isolamento e equipes de resposta sem espaço para conter a transmissão. Organizações como MSF e a Alima alertam para a necessidade de coordenação internacional e maior financiamento, diante de um vírus sem tratamento aprovado e sem vacina específica.
O FMI da região também enfrenta entraves: cortes de ajuda internacional e restrições orçamentárias dificultam a aquisição de insumos. A doença se dissemina em meio a ataques de milícias, como o ADF, que intensificaram a violência em Ituri, elevando o risco de desorganização da vigilância epidemiológica. A prática de enterros seguros é desafiada por costumes locais de contato com os corpos, o que aumenta o contágio.
Na prática, o esforço de controle envolve equipes que treinam e implementam medidas em várias localidades, incluindo a implementação de isolamento, rastreamento de contatos e uso de unidades móveis de tratamento. Um recurso inovador empregado pela Alima é a Cube, uma unidade transparente que facilita o contato entre pacientes, familiares e profissionais sem exigir equipamento protetor completo.
A gestão do surto também enfrenta resistência cultural. Em algumas comunidades, a atenção ao sepultamento seguro esbarra em tradições de lavagem e toque nos corpos. Autoridades decretaram restrições a velórios, a proibição de transportes de mortos por veículos não médicos e a limitação de aglomerações, para reduzir riscos de transmissão.
Profissionais de saúde destacam que a identificação precoce de casos é crucial para aumentar as chances de sobrevivência, especialmente sem vacina disponível para a cepa Bundibugyo. Integrantes da equipe médica enfatizam a necessidade de cooperação internacional contínua, coordenação das respostas e apoio logístico para manter vigilância, tratamento e isolamento eficazes.
Famílias afetadas relatam impactos profundos, com a doença chegando de forma abrupta e confundida inicialmente com enfermidades como malária. Enquanto isso, o governo, com apoio de médicos experientes, trabalha para ampliar a capacidade de resposta e monitorar contatos próximos, na tentativa de conter a transmissão o mais rápido possível.
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