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Brasília: diplomacia, história e estética em foco

Brasil conquista reconhecimento internacional na Expo de Bruxelas de 1958, com pavilhão de Bernardes e Burle Marx, fortalecendo a imagem do governo JK

Ilustração do pavilhão do Brasil na Exposição Internacional Universal de Bruxelas de 1958 - (crédito: Acervo Sergio Bernardes /NPD FAU UFRJ)
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  • A Exposição Internacional Universal de Bruxelas de 1958 contou com a participação de 34 nações e 127 pavilhões, atraindo mais de 18 milhões de visitantes entre abril e outubro daquele ano, incluindo o Brasil no Heysel Park.
  • O pavilhão brasileiro teve 2.500 m² e foi concebido por Sérgio Bernardes (arquitetura) e Joaquim Cardoso (engenharia estrutural), com acompanhamento de Burle Marx no paisagismo.
  • Bernardes criou uma “tenda vermelha” com arcos de aço, enquanto Burle Marx desenhou o jardim e um plúvium com um balão suspenso que subia, simulando uma chuva suave.
  • O percurso expositivo destacou símbolos da identidade brasileira, com itens como tronco de madeira da Amazônia, réplica da estátua do profeta Habacuque e maquetes de Brasília assinadas por Marcel Gautherot.
  • O pavilhão recebeu diversos prêmios internacionais, incluindo o Grand Prix para Bernardes e para Burle Marx, fortalecendo a imagem do governo de Juscelino Kubitschek (JK) e do projeto de Brasília no cenário global.

A Exposição Internacional Universal de Bruxelas de 1958 marcou, para o Ocidente em reconstrução, uma tela de símbolos, modernidade e pacifismo. O Brasil pôs em centro as suas realizações, a arquitetura e a visão cultural sob o governo JK, destacando o projeto de Brasília.

No Heysel Park, o Atomium — símbolo belga de 102 metros de altura — foi inaugurado como promessa de uso pacífico da energia nuclear e de cooperação multilateral. A obra, construída para durar meses, ganhou status de marco definitivo de Bruxelas e da Avant-garde europeia.

Ao longo de 1958, 34 nações ergueram 127 pavilhões e 150 edifícios. Mais de 18 milhões de visitantes passaram pelo complexo entre abril e outubro, consolidando Bruxelas como vitrine de reconstrução pós-guerra e polo político da época.

Pavilhão brasileiro

Em Bruxelas, Hugo Gouthier, então embaixador do Brasil, organizou o espaço nacional com Meira Penna e Wladimir Murtinho da Divisão Cultural do Itamaraty. Sérgio Bernardes foi o principal arquiteto, apoiado por Joaquim Cardoso, engenheiro estrutural.

O pavilhão brasileiro ocupou 2.500 m² no Heysel Park, em área relativamente inclinada. Bernardes desenhou uma tenda vermelha apoiada por quatro arcos de aço, com uma manta de concreto que cobria a estrutura.

Detalhes da montagem

Burle Marx criou um jardim central que emoldurava a visita. Um balão, preso por uma corrente, subia a sete metros de diâmetro, trazendo uma chuva suave para a paisagem à sombra da floresta. Uma rampa circular conectava visitante, bar, jardim e cinema.

Wladimir Murtinho mapeou símbolos e conquistas do Brasil ao longo do trajeto. Entre as peças expostas estavam um tronco de madeira da Amazônia e uma réplica da estátua do profeta Habacuque, além de referências a artes, minerais, fauna e economia nacional.

Reconhecimento e prêmios

Ao fim da mostra, o pavilhão brasileiro recebeu elogios e premiações internacionais. Bernardes ganhou o Grand Prix International d’Architecture; Burle Marx, o Grand Prix International d’Horticulture; a Novacap, o Grand Prix International d’Urbanisme. Murtinho recebeu a Estrela de Ouro. A maquete da Praça dos Três Poderes teve destaque em fotos de grande formato.

O conjunto da exposição mostrou a relação entre diplomacia, estética e identidade nacional. A presença brasileira na mostra contribuiu para a imagem do país em um momento de expansão industrial e de consolidação de Brasília como símbolo de modernidade.

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