- David Miliband afirmou que a Europa deve ter “quartos separados” do EUA, mas não deve buscar um divórcio da aliança tradicional, mesmo com o impacto da administração Trump.
- Em Hay literary festival, o ex-secretário de Relações Exteriores alertou sobre os riscos de uma separação completa e disse que a autonomia estratégica não pode significar rompimento.
- Ele citou a necessidade de Europa desenvolver própria agência econômica e militar, destacando dilemas na compra de armamentos e na soberania digital.
- Miliband ressaltou que clima e liderança europeia são áreas onde não se pode ficar para trás, apontando que o PIB per capita dos EUA é quase o dobro do europeu em termos nominais.
- O painel contou com Philippe Sands e Misha Glenny; discutiu a dependência do Reino Unido dos EUA, a necessidade de reconectar com a União Europeia e o papel de França numa possível reaproximação pós-Brexit.
David Miliband defendeu, em Hay, que a Europa mantenha relação diferente da dos EUA, com “adestramento estratégico” sem optar pelo divórcio. O ex-secretário de Relações Exteriores afirmou que uma separação completa é arriscada.
Durante o festival literário, Miliband, presidente do International Rescue Committee, disse que a autonomia estratégica não pode romper alianças históricas. O discurso ressaltou que manter laços com os EUA é essencial para a segurança.
A ideia de “quartos separados” ganhou tom prático: autonomia na economia e na defesa, sem abrir mão de cooperação. O ex-ministro ainda citou questões de inteligência artificial e soberania digital como desafios.
Trajetória europeia e economia
Miliband destacou a importância de a Europa avançar na geração de riqueza e distribuição justa de renda. Observou que o PIB per capita dos EUA é quase o dobro do europeu, apontando vulnerabilidades políticas.
O clima foi citado como exemplo de benefício de liderança europeia. Segundo ele, a Europa não pode ficar para trás em questões ambientais, com interesses econômicos relevantes para a transição energética.
Relações transatlânticas e cenário britânico
Entre os comentaristas, Philippe Sands disse que a relação Reino Unido-EUA é desequilibrada, com o Reino Unido mais dependente dos EUA. Sands afirmou que é necessário recalibrar essa relação.
Misha Glenny ressaltou que o Brexit expôs mudanças de alinhamento regulatório. Ele sugeriu que o Reino Unido precisa se reconectar com a União Europeia em aspectos econômicos, diplomáticos e militares.
Desdobramentos políticos no Reino Unido
No sábado, Miliband chamou a bancada a buscar consenso nacional sobre a reabertura ao EU. O objetivo é viabilizar uma reintegração sem alienar eleitores que votaram pela saída.
Glenny destacou que o rompimento internacional, como no caso do Irã, agrava rupturas entre EUA e Europa. O comentário reforçou a percepção de um cenário global mais conturbado.
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