- Autoridade síria afirmou que o material inclui matérias-primas e munições usadas em ataques com gás durante a guerra civil.
- 18 suspeitos foram detidos, entre militares, políticos e técnicos sêniores; os nomes não foram divulgados.
- Pelo menos quatro suspeitos estavam nas listas de sanções da União Europeia, Reino Unido ou Estados Unidos.
- A Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) disse que equipes na Síria localizaram dezenas de munições químicas não declaradas, como bombas e foguetes, além de produtos químicos e equipamentos.
- As buscas, em locais não declarados no norte e centro do país, constataram mais de setenta foguetes e bombas aéreas, além de ingredientes para a produção de sarin; Síria prometeu colaborar com a comunidade internacional para eliminar o legado de armas químicas.
A liderança de transição da Síria localizou resquícios do programa clandestino de armas químicas do ex-presidente Bashar al-Assad. O material inclui matérias-primas e munições parecidas com as usadas em ataques químicos durante a guerra civil, segundo uma autoridade síria à Reuters em 26 de outubro. O país prometeu cooperação com a comunidade internacional para eliminar o legado das armas de destruição em massa.
Foram detidos 18 suspeitos envolvidos no programa, entre militares, políticos e técnicos seniores, conforme Mohamad Katoub, representante sírio na Opaq. Os nomes não foram divulgados porque a investigação corre. Alguns suspeitos teriam atuado como generais de divisão sob Assad; pelo menos quatro estavam sob sanções europeias, britânicas ou americanas.
Munições e material químico encontrados
A Opaq informou que equipes na Síria visitaram locais não declarados nas regiões costeira e central do norte, em colaboração com autoridades locais. Foram encontradas dezenas de munições químicas não declaradas, como bombas e foguetes, além de produtos químicos e equipamentos.
Autoridades sírias e inspetores da Opaq identificaram mais de 70 foguetes e bombas aéreas, bem como precursores para produção de sarin. Também foram encontradas instalações e equipamentos de mistura e armazenamento, além de hexamina, estabilizante ligado à produção de sarin.
Contexto internacional
Investigações da ONU e da Opaq já concluíram que o sarin, o cloro e o gás mostarda foram usados pelo regime de Assad. A Opaq estima que cerca de 100 locais na Síria ainda precisam de inspeção. A Síria assinou a Convenção sobre Armas Químicas em 2013 e declarou um estoque de 1.300 toneladas, mas o uso permaneceu em relatos anteriores.
Em março, o país lançou um plano com apoio dos EUA para livrar o território do legado de armas químicas.
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