- Conflito no leste da República Democrática do Congo dificulta a resposta ao surto de Ebola em Ituri, segundo a OMS.
- A Organização Mundial da Saúde afirma que o acesso humanitário está comprometido, com 220 mortes suspeitas e 17 casos confirmados.
- Ituri está sob regime militar desde 2021, o que aumenta deslocamentos e ataques a unidades de saúde, prejudicando o rastreamento de contatos.
- O surto é de uma variante Bundibugyo, para a qual não há vacinas disponíveis, e há esforço para ampliar testes e diagnósticos.
- Internacionalmente, o Brasil ativou o Plano de Contingência, e Canadá, Bahamas e Estados Unidos implementaram restrições de viagem; MSF ressalta que levará semanas para melhorar a infraestrutura.
O leste da República Democrática do Congo vive uma combinação devastadora de violência e doença. A OMS afirma que o conflito na região dificulta o avanço das medidas contra o Ebola, com Ituri no centro dessa crise.
Tedros Adhanom Ghebreyesus destacou que a situação impede a construção de confiança comunitária e o isolamento de doentes, principalmente quando bombas caem. O chefe da OMS viajará ao país para ampliar os esforços de contenção.
Até o momento, 220 mortes são consideradas suspeitas em decorrência do surto, que é de uma variante rara chamada Bundibugyo. A resposta enfrenta obstáculos, incluindo condições precárias das estradas e deslocamentos em massa.
Trabalhadores humanitários enfrentam riscos, com ataques às unidades de saúde dificultando o rastreio de casos e contatos. O acesso humanitário é visto como central para interromper a transmissão.
Ituri está sob regime militar desde 2021, após a substituição da autoridade civil por um líder militar, numa tentativa de conter grupos armados que atuam na região. O cenário agrava a dificuldade de atuação das equipes de saúde.
Preocupações internacionais
Mais países restringem viagens diante da ameaça de disseminação. O Brasil ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais, com vigilância contra viajantes vindos de Congo, Uganda e outros países.
O plano prevê coleta de amostra adicional a cada caso suspeito, 48 horas após o teste inicial. Autoridades também monitoram redes de contato para isolar pacientes.
O Canadá proibiu entrada de residentes dos três países por 90 dias. As Bahamas adotaram regras de quarentena para estrangeiros provenientes das mesmas regiões. Os EUA ampliaram a restrição para não cidadãos que viajaram aos locais.
As autoridades congolesas estimam cerca de mil pessoas com sintomas compatíveis. Mais de 2 mil testes já foram distribuídos, com expectativa de enviar 4 mil adicionais. Tratamentos experimentais podem entrar em uso em breve.
Desafios logísticos e operacionais
A MSF alerta que levar suprimentos e profissionais ao epicentro exige esforço conjunto, diante da insegurança e de rotas precárias em Ituri. A organização ressalta a necessidade de mais diagnósticos para obter uma visão clara da transmissão.
Especialistas da OMS ressaltam que o controle depende do acesso seguro para equipes de saúde. A expectativa é de semanas para estruturar a resposta adequada ao surto, que envolve uma doença sem vacina para esse tipo específico.
O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças confirmou que aumentará a presença no terreno, com participação ampliada da Força-Tarefa de Saúde da UE. Em Kinshasa e Nairóbi, equipes acompanham os desdobramentos.
Entre na conversa da comunidade