- Uganda fechou temporariamente a fronteira com a República Democrática do Congo para conter o Ebola; apenas equipes médicas e operações humanitárias podem cruzar, com isolamento obrigatório de 21 dias para quem retornar.
- Os Estados Unidos afirmaram que não permitirão a entrada de nenhum caso no território, com triagem em aeroportos e possível centro de quarentena no Quênia para expatriados expostos.
- O surto foi declarado em 15 de maio na região de Ituri, no nordeste da RDC, com a variante Bundibugyo; OMS contabiliza mais de mil casos suspeitos e 223 mortes, estimando que números reais podem ser maiores.
- A situação é agravada pelo conflito armado na região, que impede o acesso seguro de equipes de saúde e facilita deslocamentos de pessoas para campos superlotados.
- Em hospitais locais há falta de recursos, e houve incidentes como o fogo em tendas de isolamento instaladas por uma ONG durante a retirada de corpos.
Uganda fechou nesta quarta-feira a fronteira com a República Democrática do Congo para conter a propagação do ebola, adotando medidas de controle sanitário rígidas. Paralelamente, os Estados Unidos anunciaram que não permitirão a entrada de qualquer caso no território norte-americano. As ações ocorrem em meio a um surto que avança no leste da RDC.
O surto de ebola foi detectado em 15 de maio na província de Ituri, em meio a conflitos armados e deslocamentos. Trata-se da variante Bundibugyo, para a qual não há tratamento específico nem vacina disponível. A OMS já contabiliza mais de mil casos suspeitos e 223 mortes, com registro de casos também nos Kivus e em Uganda, que já confirmou sete infecções, incluindo uma morte.
O governo de Kampala autorizou apenas a passagem de equipes médicas e operações humanitárias pela fronteira. Quem retornar da RDC deve cumprir isolamento de 21 dias, correspondente ao período de incubação. Emissoras locais foram orientadas a dedicar parte da programação à prevenção da doença.
Reação internacional
O diretor-geral da OMS classificou a situação como choque entre doença e conflito, destacando a necessidade de acesso humanitário contínuo para conter a transmissão. Confrontos entre forças governamentais e o M23 prejudicam essa disponibilidade, ampliando o deslocamento de pessoas para áreas com maior risco de contágio.
Hospitais da região enfrentam carência de recursos, e o isolamento de casos é dificultado pela falta de estrutura. Em áreas rurais, famílias transportam doentes em motocicletas, sem proteção adequada, aumentando o risco de transmissão por fluidos corporais. Dois abrigos de isolamento foram incendiados ao tentar recuperar o corpo de um amigo.
Medidas dos EUA e impactos
O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os EUA não permitirão a entrada de casos de ebola e estão reforçando controles nos aeroportos. O governo avalia abrir no Quênia um centro de quarentena para americanos expostos, para evitar desembarques diretos sem observação médica. O centro depende de autorização local.
Um médico missionário americano infectado na RDC foi transferido para Berlim para tratamento. Ele havia atendido doentes no hospital de Nyankunde e permanece estável. Os EUA passaram a redirecionar viajantes que estiveram na RDC, Uganda ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias para três aeroportos norte-americanos para triagem, com restrições adicionais a residentes permanentes que transitaram pela região.
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