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Youtuber cristão é condenado a 5 anos de prisão no Egito por vídeos sobre Jesus

Youtuber cristão copta recorre de condenação de cinco anos no Egito, em meio a denúncias de expansão da repressão religiosa no país

Augustinos Samaan, cristão copta condenado no Egito. (Foto: ADF International)
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  • Augustinos Samaan, cristão copta e youtuber, foi condenado a cinco anos de prisão no Egito por publicar vídeos sobre a fé cristã e recorre da sentença.
  • A condenação envolve o Artigo 98(f) do Código Penal egípcio, relacionado à blasfêmia, além de acusações de uso indevido das redes sociais e desprezo à religião.
  • O jovem mantinha canal com mais de cem mil inscritos e produzia conteúdos sobre temas teológicos e sobre diferenças entre cristianismo e islamismo; a morte de sua mãe ocorreu pouco após a sentença.
  • ADF International aponta que há repressão mais ampla contra o cristianismo e outras religiões no Egito, com dezenas de prisões desde agosto de dois mil e vinte e cinco.
  • A organização cita casos como o de Abdulbaqi Saaed Abdo, que foi preso por blasfêmia, teve apoio jurídico e foi libertado para se mudar; a Constituição garante liberdade religiosa, mas as leis de blasfêmia continuam em aplicação.

Um jovem cristão copta chegou a cumprir uma sentença de cinco anos de prisão no Egito por vídeos sobre a fé, e recorre da decisão. Augustinos Samaan foi condenado no início deste ano a prisão com trabalhos forçados por produzir conteúdos que ensinavam e defendiam o cristianismo.

Segundo relatos divulgados, pouco depois da sentença a mãe de Augustinos faleceu devido a um coágulo sanguíneo. O youtuber, conhecido como “Dr. Augustinos”, mantinha um canal com mais de 100 mil inscritos, no qual apresentava conteúdos acadêmicos sobre a fé cristã e respondia a dúvidas frequentes.

Entre os temas abordados estavam dúvidas sobre a relação entre Deus, oração e pecado, além de conteúdos que comparam o cristianismo com o islamismo, sob uma perspectiva crítica e teológica. As autoridades egípcias teriam considerado esse material como base para o processo.

A condenação ocorreu com base no Artigo 98(f) do Código Penal egípcio, relacionado à blasfêmia, bem como por uso indevido das redes sociais e desprezo à religião. As acusações integram o conjunto de punições aplicadas a discursos considerados ofensivos ao islamismo.

A Associação Internacional de Liberdade Religiosa (ADF International) aponta um incremento na repressão a conteúdos religiosos online desde agosto de 2025. De acordo com a organização, houve aumento de prisões e de investigações envolvendo cristãos e outras religiões minoritárias.

Contexto de repressão religiosa

A ADF alerta que a prática de blasfêmia tem atingido um conjunto maior de indivíduos, não apenas casos isolados, o que amplia o impacto sobre comunidades cristãs coptas no Egito. O país abriga uma população cristã que representa entre 10% e 15% da população total.

Apesar de a constituição egípcia garantir liberdade religiosa, a aplicação prática de leis contra blasfêmia persiste. Em casos ilustrativos, Abdulbaqi Saaed Abdo foi preso por compartilhar crenças em um grupo cristão no Facebook, mas recebeu apoio jurídico e conseguiu libertação e reassentamento em outro país.

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