- Membros da facção Paydari defendem que o Irã mantenha o controle do estreito de Hormuz e se oponham a concessões sobre o programa nuclear, definindo esses pontos como linhas vermelhas.
- O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, é alvo de críticas por supostamente agir além do mandato, segundo aliados da linha dura.
- Mediadores avaliam uma reabertura gradual de Hormuz por sessenta dias em troca do levantamento parcial de sanções e da construção de uma estrutura para as negociações nucleares.
- Detalhes das condições discutidas incluem gestão exclusiva do estreito, cobrança de pedágios, proibição a embarcações ligadas a Israel e recebimento de compensação dos EUA por danos de guerra.
- Mesmo com atritos, analistas veem a influência dos ultraconservadores como suficiente para dificultar as negociações, com o tema mantido sob supervisão do líder supremo Mojtaba Khamenei.
Os ultraconservadores do Irã criticaram negociadores do governo por causa de um possível acordo com os Estados Unidos, revelando tensões internas sobre até que ponto Teerã deve ceder para encerrar meses de conflito. Membros da facção Paydari defendem a manutenção do controle do estreito de Hormuz e a recusa de concessões no programa nuclear. A discussão ocorreu em meio a avanços diplomáticos entre Teerã e Washington.
Os críticos acusam o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, de agir além do mandato sob o novo líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei. Entre os aliados da Paydari, Mahmoud Nabavian cobra termos firmes para encerrar a crise, defendendo postura maximalista que considera a guerra como fonte de poder regional.
- Contexto e diálogo internacional: mediadores aguardam resposta iraniana a uma proposta de cessar-fogo estendido por 60 dias, com reabertura gradual do estreito e estrutura para discutir o programa nuclear. Analistas veem a pressão interna como fator que pode atrasar decisões, mas não inviabiliza as negociações.
Teerã sinalizou, em conversas anteriores, que pode reabrir o estreito por 60 dias se sanções americanas forem suspensas pelo Congresso e houver garantias contra novas sanções. Relatos apontam também a possibilidade de liberação parcial de ativos iranianos congelados, condicionada a avanços no acordo nuclear.
A política interna segue dividida entre linha dura e reformas. O presidente do Parlamento e o ministro das Relações Exteriores retornaram a Teerã após negociações em Doha com mediadores do Catar. O objetivo é estabelecer uma estrutura inicial para suspender hostilidades e facilitar o tráfego pelo estreito.
Analistas avaliavam que, mesmo com o desgaste político, a liderança de Khamenei permanece coordenando ações com a Guarda Revolucionária e com altos oficiais, em meio a ataques dos EUA contra alvos iranianos e a acusações de violações do cessar-fogo. A tensão interna deve influenciar o ritmo das negociações.
- Perspectivas e clima político: autoridades iranianas destacam que a unidade nacional é essencial para enfrentar pressões de Washington e de Israel, segundo declarações de altos dirigentes de segurança. O ambiente aponta para uma combinação de firmeza na linha de frente e pragmatismo na prática de negociações.
As negociações entre Irã e mediadores seguem em curso, com expectativa de definição sobre condições para a reabertura do estreito e sobre o andamento das discussões nucleares. A influência de grupos ultraconservadores permanece significativa, mas não determina sozinha o curso das tratativas.
Entre na conversa da comunidade