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Brooklyn Rivera, defensor das terras indígenas da Nicarágua, morre em detenção

Brooklyn Rivera, defensor de terras indígenas na Moskitia, morre em custódia do governo de Daniel Ortega após detenção sem julgamento e com visitas negadas

Brooklyn Rivera. Photo courtesy of the Rivera family.
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  • Brooklyn Rivera Bryan, conhecido como Taupla Brooklyn, morreu em 30 de maio, aos 73 anos, em custódia do governo de Daniel Ortega; estava detido desde setembro de 2023 sem julgamento público e com visitas da família negadas.
  • Rivera foi uma voz central na luta pela autonomia das terras indígenas da região da La Moskitia, defendendo título de terra, controle territorial e proteção de recursos.
  • Participou da formação de Yatama (filhos da Mãe Terra) e atuou como intermediário entre as comunidades costeiras e o governo, defendendo autonomia para caça, pesca, agricultura, serviços sociais e educação.
  • A autonomia da Nicarágua para a costa caribenha ficou prevista na constituição de 1987, mas Rivera criticou alianças políticas e projetos que afetavam territórios indígenas, como o canal interoceânico, considerado inviável sem consulta.
  • Em 2023, após falar na ONU sobre questões indígenas, foi impedido de retornar ao país; entrou de forma informal, teve a prisão decretada e sua legenda de representante da costa revogada, com o assento entregue a um legislador sandinista.

Brooklyn Rivera Bryan, defensor dos povos indígenas do litoral caribenho da Nicarágua, morreu em 30 de maio sob custódia do governo de Daniel Ortega. Estava detido desde setembro de 2023; o governo inicialmente negou a prisão e não houve julgamento público. A família teve visitas negadas.

Rivera, conhecido como Taupla Brooklyn nas comunidades, dedicou décadas à luta por terra, autonomia e participação indígena na gestão das áreas da Moskitia. Líder da organização Misurasata nos anos 80, integrou a criação de Yatama, movimento regional de defesa dos povos Miskitu, Sumu, Rama e Garífuna.

Contexto histórico

A autonomia das comunidades costeiras foi incorporada à constituição de 1987, mas o tema permaneceu contestado. Rivera pressionou por título de terra, controle territorial e proteção ambiental, frente a pressões de atividades extrativistas, mineração e desmatamento.

Na prática política, Rivera atuou como elo entre a costa atlântica e Manágua. Foi parlamentar em 2007, atuando como mediador, até ser afastado em 2015 sob acusações de conspiração política. O canal interoceânico projetado também acentuou o atrito com o governo.

Detenção e desfecho

Durante as mobilizações de 2018, Rivera afirmou apoio aos protestos populares, mantendo o argumento de direitos indígenas diante de políticas de repressão. Em 2023, após intervenção em fórum da ONU, foi proibido de retornar ao país, retornando de forma informal.

Pouco tempo depois, foi preso em casa. A situação de Yatama foi contestada pelo poder, com a revogação de seu status legal e a transferência de seu assento legislativo a um deputado do governo. O falecimento encerra uma trajetória marcada por disputas territoriais e políticas. Confidencial reportou o desejo de sepultamento ao lado da mãe, pedido negado pela conexão com o Estado. La Moskitia permanece no centro de sua vida e luta.

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