- O bispo Marcelo González Amador, presidente da Conferência Episcopal Cubana, disse que pessoas vão às paróquias para relatar ter passado dias sem comer.
- Ele afirmou que a falta de eletricidade impede manter alimentos frescos e que há desmaios frequentes entre fiéis nas igrejas.
- A crise também afeta a saúde: em alguns grandes hospitais cirurgias não estão sendo realizadas pela falta de água e de suprimentos.
- Há temor de conflito com os Estados Unidos, e a população tem pedido ajuda, especialmente crianças e idosos, segundo o bispo.
- Em resposta, cozinhas comunitárias ajudam centenas de pessoas; a Igreja mantém ações de caridade e a Caritas Cuba distribui ajuda humanitária recebida dos EUA após o furacão Melissa.
O presidente da Conferência Episcopal Cubana, bispo Marcelo González Amador, relatou que pessoas vão às paróquias de Cuba dizendo ter passado dias sem comer. A afirmação ocorreu em conversa com a organização Ajuda à Igreja que Sofre/Espanha, nesta semana.
Segundo o bispo, há fieis que chegam às igrejas sem saber a quem recorrer. A falta de eletricidade impede a conservação de alimentos, e desmaios passaram a ocorrer com frequência dentro de templos. González descreveu o momento como o mais difícil da história do país.
Crise afeta o sistema de saúde do país, com hospitais enfrentando falta de água e de insumos cirúrgicos. Em alguns casos, pacientes precisam recorrer a recursos externos para realizar procedimentos. O bispo citou casos de pessoas que buscaram ajuda no exterior.
Medo e vida cotidiana
González mencionou o medo de um possível conflito com os EUA e a sensação de estresse, especialmente entre crianças e idosos. Em ruas, a ausência de alimentos elevou a tensão entre a população. Muitos já avaliam opções de migração.
A igreja trabalha para manter o apoio espiritual, ouvir a comunidade e oferecer acompanhamento. Em paralelo, cozinhas comunitárias surgem para atender aos mais pobres, com entregas de refeições a quem está acamado ou sem condições de cozinhar.
Ação solidária e limitações
Religiosas improvisaram refeições para mais de 300 pessoas, misturando latas de feijão para ampliar as porções. A atividade é vista como demonstração de caridade sem alinhamento político, segundo o bispo. A diocese aponta que a fé permanece como fio de esperança.
A Igreja ressalta ainda que o aumento de preços e a escassez de combustível dificultam a celebração de missas em vilarejos. Muitas congregações enfrentam vias de sustento precário e pouco apoio logístico para manter a presença religiosa na ilha.
Caritas Cuba segue distribuindo ajuda humanitária enviada dos Estados Unidos para as áreas atingidas pelo furacão Melissa, com itens como alimentação e higiene nas dioceses de Holguín-Las Tunas, Bayamo-Manzanillo, Santiago de Cuba e Guantánamo-Baracoa.
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