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Corte francês permite ação entre herdeiros de Monet e galeria Wildenstein

Caso Monet x Wildenstein avança em Rouen; herdeiros buscam anular acordo de 2004 e ressarcimento de obra danificada, estimado em US$ 3 milhões

Franco-American art-dealer Guy Wildenstein (C) arrives at the Palais de Justice, Court of Appeal for the third trial of the Wildenstein art dealers' heirs, suspected of massive tax fraud, in Paris on September 18, 2023.
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  • Juiz francês determinou que a Vara Judicial de Rouen pode prosseguir com a queixa apresentada pelos herdeiros de Claude Monet contra a galeria Wildenstein & Co.
  • O caso envolve uma transação de 2004 na qual o bisavô de Monet concordou em ceder a pintura rara Adolphe Monet Reading in a Garden (1867) em troca de cinco obras de menor valor, incluindo Marine, Amsterdam (1874).
  • Segundo a queixa, a família descobriu em 2019 que Marine, Amsterdam estava gravemente danificada, com a tela original distorcida por ter sido transferida para outro suporte.
  • A família busca anular o acordo de 2004 e, ao mínimo, receber a restituição do valor da obra danificada, estimado em cerca de 3 milhões de dólares; a galeria pode ter de devolver a pintura de Adolphe Monet caso o negócio seja anulado.
  • A galeria já vendeu a pintura de Adolphe Monet ao bilionário Larry Ellison; Wildenstein & Co. contestou a competência da justiça francesa, alegando que o caso deveria ser julgado em Nova York, mas a ação continua em Rouen com prazo até 13 de outubro para apresentação de defesa.

Um juiz francês autorizou que a ação jurídica movida pelos herdeiros de Claude Monet contra a galeria Wildenstein & Co., de Nova York, prossiga na justiça de Rouen, na Normandia. A decisão foi anunciada no fim da semana passada, segundo reportes franceses. O caso envolve a troca de obras realizadas em 2004 e a alegação de danos a uma pintura de Monet.

A disputa central gira em torno de uma transação de 2004, na qual o bisneto de Monet concordou em ceder uma pintura rara de Monet, Adolphe Monet Read in a Garden (1867), à Wildenstein, em troca de várias obras de menor valor. O herdeiro não identificado, descendente do irmão de Monet, aceitou o acordo para facilitar a partilha da herança entre seus filhos, segundo a advogada da família, Corinne Hershkovitch, em entrevista à ARTnews.

Conforme a queixa, em troca da mencionada obra, o marchand Guy Wildenstein teria entregue cinco pinturas de artistas como Bonnard e Sisley, além de outra tela de Monet, Marine, Amsterdam (1874). Ao tentar vender Marine, Amsterdam em 2019, a família descobriu que a peça estava gravemente danificada, com o suporte original de madeira perdido e a tela deslocada por uma troca de cavalete, em data anterior a 2004.

Contexto da disputa

A advogada da família descreveu a situação como uma mudança injusta ocorrida há décadas. Alega que a galeria Wildenstein & Co. não agiu de forma honesta na transação. Ação busca, no mínimo, a anulação do acordo de 2004 e a restituição do valor de Marine, Amsterdam, estimado em cerca de 3 milhões de dólares. Se o acordo for anulado por erro no valor estimado, pode haver devolução da pintura de Adolphe Monet Read in a Garden, além das cinco obras recebidas em troca.

Guy Wildenstein deixou o cargo de presidente da galeria no final de 2023 após ser considerado culpado por fraude fiscal. O substituto foi seu filho David Wildenstein, com atuação em uma empresa fundada em 1875 que atua no mercado de Old Masters e Impressionismo. A galeria não foi acusada de danificar pinturas, mas a família monetiana sustenta que o negócio não foi transparente na negociação.

A defesa de Wildenstein & Co. contestou a competência do sistema judiciário francês para julgar o caso, defendendo que a disputa deveria ocorrer em Nova York. A alegação foi rejeitada, já que os herdeiros são consumidores gerais de arte, com base em Normandia, e a ação pode seguir em Rouen. A galeria tem até 13 de outubro para apresentar defesa.

Fontes confirmam que a galeria não respondeu a pedidos de comentário até o fechamento desta edição. O caso permanece em tramitação na justiça francesa, com possibilidade de desdobramentos sobre a restituição de obras e a revisão do acordo de 2004. O andamento pode impactar futuros litígios envolvendo transações entre colecionadores e dealers.

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