- O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos concluiu a investigação sobre uso de trabalho forçado em 59 países e na União Europeia, incluindo o Brasil, sob a Seção 301.
- Propõe tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros; não está certo se as penalidades seriam somadas, e a decisão cabe ao presidente Donald Trump.
- A abertura ocorreu após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegais tarifas anteriores; o processo prevê consulta pública, com audiências em 7 de julho e contribuições até 6 de julho.
- Brasil fica na categoria de países que, segundo o USTR, não proíbem nem fiscalizam suficientemente a importação de produtos com trabalho forçado; outros 53 países estão na mesma classificação, enquanto Canadá, União Europeia, Equador, México, Paquistão e Indonésia estão em outra categoria.
- O Brasil rebateu a investigação, dizendo que sanções seriam desproporcionais e ressaltando sua legislação robusta e mecanismos de fiscalização, que vão além das normas da OIT.
Após a conclusão da investigação da seção 301, os EUA propõem uma nova tarifa contra o Brasil e outros países. A análise divulgada pelo USTR aponta um possível formato de tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, ainda sem confirmar se haverá soma com outras sanções. A consulta pública deve ouvir contribuições até 6 de julho, com audiências em 7 de julho.
A decisão final cabe ao presidente Donald Trump. O processo envolve mais de 60 países e a União Europeia, em um desdobramento de uma investigação que teve início após decisões judiciais que contestaram sobretaxas aplicadas globalmente. O Brasil figura entre as nações alvo sob a seção 301. O governo brasileiro já reagiu, afirmando que sanções unilaterais seriam desproporcionais.
O caso está vinculado a uma linha de ações que começou com o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). O objetivo, segundo o USTR, é enfrentar condições de competição desleal associadas a trabalho forçado na produção de bens importados. Outros seis blocos econômicos, como Canadá, União Europeia, Equador, México, Paquistão e Indonésia, estariam em categoria diferente, com proibições ou mecanismos legais já existentes, mas com fiscalização considerada ineficaz.
Entre as primeiras manifestações, Jamieson Greer, representante americano para o comércio, sinalizou que decisões podem levar a acordos bilaterais ou à aplicação de novas tarifas. O Brasil contestou a abertura do processo, afirmando que sanções seriam injustas a um país reconhecido por políticas de combate ao trabalho escravo. O governo brasileiro sustentou que a Seção 301 não é adequada para a solução de controvérsias comerciais segundo a OMC.
O ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, destacou que o Brasil possui um arcabouço jurídico robusto e apontou que a legislação interna amplia a definição de condições análogas à escravidão, incluindo jornadas exaustivas e restrições de locomoção. Dados de 2025 mostraram inspeções que resultaram no resgate de milhares de trabalhadores, segundo o governo, indicando fiscalização proativa.
Contexto
A abertura da investigação segue a linha de ações de combate ao uso de trabalho forçado em cadeias produtivas globais. Em resposta judicial, o governo dos EUA impôs uma tarifa global de 10% que expirou no fim de julho. O Brasil reforçou, em nota oficial, que as sanções seriam desproporcionais e prejudicariam o avanço brasileiro no enfrentamento do trabalho escravo.
Desdobramentos
O USTR mantém a possibilidade de impor tarifas adicionais se não houver negociação. A consulta pública permitirá que interessados apresentem argumentos até 6 de julho, com audiências em 7 de julho. A decisão final sobre a aplicação de tarifas depende do presidente dos EUA.
Participação e lista de países
A lista de 60 países, entre eles Brasil, Canadá, União Europeia, México, Paquistão e Indonésia, identifica aqueles sem proibição ou fiscalização eficaz de importação de produtos feitos com trabalho forçado. Países com mecanismos legais existentes, porém com fiscalização insuficiente, aparecem em outra categoria. A relação completa segue abaixo:
- Argélia
- Angola
- Argentina
- Austrália
- Bahamas
- Bahrein
- Bangladesh
- Brasil
- Camboja
- Canadá
- Chile
- China
- Colômbia
- Costa Rica
- República Dominicana
- Equador
- Egito
- El Salvador
- União Europeia
- Guatemala
- Guiana
- Honduras
- Hong Kong, China
- Índia
- Indonésia
- Iraque
- Israel
- Japão
- Jordânia
- Cazaquistão
- Kuwait
- Líbia
- Malásia
- México
- Marrocos
- Nova Zelândia
- Nicarágua
- Nigéria
- Noruega
- Omã
- Paquistão
- Peru
- Filipinas
- Catar
- Rússia
- Arábia Saudita
- Singapura
- África do Sul
- Coreia do Sul
- Sri Lanka
- Suíça
- Taiwan
- Tailândia
- Trinidad e Tobago
- Turquia
- Emirados Árabes Unidos
- Reino Unido
- Uruguai
- Venezuela
- Vietnã
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