- O padre Alberto Reyes, de Camagüey, Cuba, critica o regime comunista e fala sobre a necessidade de Cuba aprender a viver em democracia, destacando a crise econômica e a miséria.
- Ele defende que a Igreja não faz política partidária, mas atua pelo bem-estar da sociedade, enquanto os leigos podem se filiar a partidos se desejarem.
- Reyes relata intimidações da Segurança do Estado e advertências judiciais por denunciar problemas do país em suas redes sociais.
- A ilha enfrenta escassez de alimentos e medicamentos, com muitos cubanos buscando oportunidades nos Estados Unidos; há debate sobre intervenções externas como opção de saída.
- A transição deve incluir justiça transicional, apoio internacional inicial e participação de sociedade civil, com riscos de violência se não houver acordo e liderança surgindo após o regime.
Padre Alberto Reyes, líder de uma paróquia em Esmeralda, Camagüey, Cuba, aponta para o fim do comunismo na ilha e defende que a sociedade precisa aprender a conviver com a democracia. Em Madri, durante uma conversa com a Aceprensa, ele descreve a transição como um processo difícil, mas inevitável.
O sacerdote relembra a hostilidade que enfrentou nos anos 70, quando ainda era criança, e explica que a perseguição não acabou. Hoje, ele diz sofrer intimidações da Segurança do Estado por criticar a situação econômica e social de Cuba em suas redes sociais. A denúncia é tratada como subversiva pelo governo.
Durante a entrevista, ele detalha o papel da Igreja na mudança: a instituição não deve apoiar um partido, mas atuar como mediadora do bem-estar público. Ele afirma que leigos podem participar da política, desde que de forma responsável, sem intervenção direta da Igreja em partidos.
Mudança social e potencial transição
O padre avalia que o regime cubano explorou a esperança inicial para impor controle, levando a uma domesticação gradual da população. Há relatos de prisões, julgamentos sumários e doutrinação, que contribuíram para o descontentamento e a busca por novas formas de expressão política.
Em relação a cenários futuros, o sacerdote teme violência caso haja transição abrupta. Defende justiça transicional para responsabilizar agentes de danos, evitando ciclos de vingança. Ele também destaca a necessidade de apoio externo e de abertura gradual para reconstrução institucional.
Otimista, ele diz que, em três a cinco anos, Cuba pode estar mais livre, plural e democrático, desde que a sociedade civil ganhe espaço, que haja diálogo e que lideranças emergentes surjam sem represálias. Questiona, porém, quem poderá liderar uma transição estável.
Opiniões sobre intervenção externa e perspectivas
O entrevistado aponta que a população, cansada da escassez e da repressão, demonstra desejo de mudanças. Uma sondagem recente indica que parte da população é favorável a uma intervenção externa para pôr fim à crise, ainda que o objetivo não seja a preferência por intervenção, mas o desejo de encerrar o sofrimento.
Ele também observa a necessidade de evitar que a transição seja dominada por antigas estruturas de poder. A metáfora dos dinossauros e dos mamíferos ilustra a ideia de que mudanças profundas demandam tempo, diálogo e novas lideranças para vencer resistências históricas.
Ao final, Alberto Reyes reforça a importância de manter a mensagem do Evangelho como base para o bem comum, sem transformar a Igreja em instrumento de política partidária. A expectativa é de que a sociedade cubana avance rumo a uma democracia inclusiva, com respeito às diferenças.
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