- Desde abril de 2023, mulheres e meninas no Sudão têm enfrentado violência sexual sistemática em contextos de conflito, com ataques coordenados do RSF e aliados em várias regiões.
- Relatos descrevem crimes graves, incluindo situações extremas vivenciadas por mães e filhas, com mulheres mantidas como escravas sexuais em cativeiro e em deslocamento forçado.
- Sistemas judicial e de saúde são frágeis, limitados e incapazes de oferecer justiça, atendimento médico e apoio psicológico adequados, aumentando a vulnerabilidade das sobreviventes.
- Em 2025, mais de 850 mulheres acusadas de colaboração com o RSF foram detidas e sofriam violência durante a detenção; quatro mulheres foram liberadas após meses de esforço jurídico conjunto.
- A solução passa pela responsabilização, pelo apoio contínuo às sobreviventes e pela inclusão da violência sexual na agenda de paz, justiça e soberania no país.
A violência sexual relacionada a conflitos no Sudão persiste desde abril de 2023, quando as forças de apoio rápido (RSF) e aliados passaram a realizar ataques coordenados em várias regiões. Mulheres e meninas têm sido alvo de estupro, tortura sexual e outras violações em cidades, vilarejos e acampamentos de deslocados, conforme levantamento de organizações de direitos humanos.
Entre os locais afetados estão Khartoum, Gezira e áreas no Blue Nile, White Nile e North Kordofan. As agressões são descritas como parte de uma estratégia para impor controle territorial, saquear comunidades e silenciar mulheres, agravando a vulnerabilidade de famílias inteiras.
O relatório, produzido pela Strategic Initiative for Women in the Horn of Africa (SIHA) e suas parceiras, registra que desde o início do conflito atual mais de 850 mulheres foram acusadas de cooperação com o RSF e detidas por períodos prolongados, muitas das quais relataram violência sexual durante detenção. Dados completos não são publicizados por razões de privacidade.
Organizações legais e de direitos humanos trabalham para desvendar os casos e buscar a libertação de mulheres sob suspeita de colaboração. Em 2025, o grupo acompanhou a libertação de quatro mulheres que permaneceram detidas por mais de um ano sem acusação formal, relatando violência sexual durante o período de custódia.
Sistemas judiciais e de saúde no país permanecem fragilizados, com capacidade limitada e suporte inadequado a vítimas. A falta de acesso à justiça e de assistência médica e psicológica expõe muitas sobreviventes a novos ciclos de violência e a estigmatização social.
Segundo especialistas, as condições históricas do Estado sudanês contribuíram para a normalização da violência contra mulheres. O fluxo desregulado de armas, falta de reforma do setor de segurança e continuidade de conflitos alimentam o ciclo de CRSV (violência sexual associada a conflitos).
Especialistas destacam a necessidade de reconhecer o papel da violência sexual como questão central de paz, justiça e soberania no Sudão. A cobertura internacional tem imposto sanções a alguns atores, mas ainda não há responsabilização específica por crimes de violência sexual em território sudanês.
Contexto e desdobramentos apontam para a urgência de medidas integradas, que envolvam saúde, assistência jurídica e proteção às vítimas, além de responsabilização de responsáveis. O acompanhamento continua por meio de redes de advocacy e de organizações de direitos humanos.
Fonte: SIHA (Strategic Initiative for Women in the Horn of Africa) e parceiros.
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