- A Alemanha não se elegeu pela primeira vez para o Conselho de Segurança da ONU; Áustria e Portugal foram escolhidos como membros não permanentes para o biênio 2026-2028.
- A votação ocorreu em sessão secreta, e a Alemanha ficou aquém da maioria de dois terços necessária.
- Portugal recebeu 134 votos, Áustria 131 e a Alemanha ficou com 104 votos.
- A disputa era destinada ao Grupo da Europa Ocidental e Outros Estados.
- O Conselho de Segurança tem cinco membros permanentes com veto e dez membros não permanentes, com decisões obrigatórias para todos os Estados-membros.
A Alemanha sofreu um revés histórico nesta quarta-feira 3 de junho, ao não se eleger pela primeira vez ao Conselho de Segurança da ONU. Austria e Portugal garantiram dois assentos de membros não permanentes para o biênio 2026-2027.
A votação foi secreta e exigia maioria de dois terços. Alemanha ficou muito abaixo da margem necessária, mesmo sendo um dos maiores contribuintes financeiros da ONU. Portugal recebeu 134 votos, a Áustria 131, e a Alemanha apenas 104.
O resultado ocorreu no mesmo momento em que Austria e Portugal foram escolhidos para integrar o grupo dos membros não permanentes. Ambos ocuparão os assentos por dois anos, reforçando a presença europeia no colegiado.
A Alemanha já ocupou o assento não permanente seis vezes, com a mais recente em 2019/2020. O país tem histórico de busca constante por uma vaga permanente, sem sucesso até hoje.
Observadores sinalizaram que o argumento financeiro não foi suficiente para fechá-la a favor da candidatura alemã. A candidatura alemã chegou a ser apresentada tardiamente, o que também foi apontado como vantagem para Portugal e Áustria.
Johann Wadephul, ministro das Relações Exteriores da Alemanha, disse em abril que as chances eram boas, mas reconheceu que a disputa envolve democracia e competição. Ele afirmou que a Alemanha está engajada no sistema da ONU.
O Conselho de Segurança é composto por cinco membros permanentes com poder de veto — EUA, Rússia, China, Reino Unido e França — e dez membros não permanentes. Suas decisões são obrigatórias para todos os membros da ONU.
A votação ocorreu em Nova York, na sede da ONU, e faz parte de um processo de escolhas que tem impactos diretos na condução de missões de paz, sanções e uso de força militar autorizada pela instituição.
Analistas destacam que a eleição reflete o xadrez geopolítico atual, em que o multilateralismo é visto como alternativa à agenda de potências individuais. O debate sobre reformas do Conselho de Segurança permanece em pauta na comunidade internacional.
Na prática, a composição atual do Conselho não mudou: os cinco membros permanentes mantêm o veto. Entre os não permanentes, Portugal e a Áustria entram no lugar de vagas que se atualizam a cada dois anos.
A eleição reforça o debate sobre a reforma do Conselho, tema que envolve ampliar ou reorganizar o número de membros e o alcance do veto. O assunto divide atenções de governos e organizações internacionais.
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