- O Escritório do Representante Comercial dos EUA acusa o Brasil de concorrência desleal na exportação de carne bovina, citando uso de trabalho forçado na produção.
- Entre 2015 e 2025, o volume de carne bovina congelada brasileira para economias investigadas quase dobrou, enquanto as exportações dos EUA cresceram 21%.
- As exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China passaram de 94 mil toneladas métricas em 2015 para cerca de 1,65 milhão de toneladas métricas em 2025, número superior ao das exportações americanas para a China.
- O USTR ressalta que nem todas as importações chinesas são produzidas com trabalho forçado, mas aponta que a prática é fortemente sugerida na produção brasileira.
- A administração avalia impor uma tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros países, e recomendou, na segunda-feira, uma tarifa de 25% sob a Seção 301.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) afirmou que o Brasil pratica concorrência desleal ao exportar carne bovina, especialmente para a China, nos últimos anos. O argumento consta de uma investigação comercial sobre trabalho forçado.
Segundo o relatório divulgado pelo governo americano, há consenso de que o trabalho forçado é utilizado na produção de gado no Brasil. O documento analisa o período de 2015 a 2025 e aponta crescimento expressivo das exportações brasileiras de carne bovina congelada para as economias investigadas.
Entre 2015 e 2025, o volume das exportações brasileiras para as economias-alvo quase dobrou, enquanto as dos EUA cresceram 21%. O relatório destaca que as exportações para a China cresceram mais de 17 vezes, de 94 mil toneladas em 2015 para quase 1,65 milhão de toneladas em 2025.
Contexto
As informações foram usadas para justificar a possível imposição de uma tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros países. O governo americano sustenta que, mesmo sem todas as importações chinesas serem resultantes de trabalho forçado, a prevalência do problema sugere produção vinculada ao erro.
O documento enfatiza que a China não tem restrições suficientes para evitar importações associadas a trabalho forçado, o que, segundo os EUA, conferiria vantagem de custo à carne brasileira e distorceria a concorrência com produtos norte-americanos.
Desdobramentos
O relatório também aponta que, mesmo com ajustes, fatores como o tamanho do rebanho dos EUA podem influenciar a competitividade. A administração de casa branca já havia indicado a possibilidade de adotar tarifas adicionais, de acordo com a seção 301, para políticas que prejudiquem o comércio americano.
A divulgação ocorre um dia após a recomendação de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros com base na Seção 301. A avaliação detalha políticas e práticas comerciais do Brasil associadas a práticas que, segundo a análise, prejudicam o comércio dos EUA.
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